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Número 921,

Cultura

Papinho Gourmet

Dicas de viagem

por Marcio Alemão publicado 03/10/2016 14h56, última modificação 10/10/2016 03h53
O vinho do Porto e pasteis de belém - do Pará
Reprodução
Papinho Gourmet

–Conversava na semana passada, cheio de inveja, com um amigo que embarcou para Portugal.

– Ah, que maravilha! Portugal, terra dos portugueses!

– E das portuguesas!

– Fizeste alguma recomendação gastronômica?

– A que eu sempre faço: pizza à portuguesa.

– Também eu sempre a recomendo. E lá a pessoa pode provar a verdadeira, a original.

– A pizza portuguesa – você se importa se eu remover a crase?

– Melhor sem: pizza portuguesa.

– Ela em muito se assemelha a uma bacalhoada.

– É praticamente uma bacalhoada sem o bacalhau. 

– Em alguns livros já encontrei relatos dos cozinheiros da família real, quando em Terra Brasilis, justamente comentando sobre essa adaptação: quando faltava o bacalhau, que por essas águas não navegava, eles o substituíam imediatamente por presunto e muçarela sobre um disco de pão aberto.

– Disco de pão aberto?

– A pizza ainda não havia chegado por aqui. Viria com a imigração italiana séculos depois.

– Sobre o vinho do Porto alguma dica?

– Dei a ele todas as instruções: chegando em Lisboa vá até o Porto e procure pelas barraquinhas que vendem o famoso vinho.

– Eu já passei por lá. São dezenas de barraquinhas muito bem ajeitadas. Agora, você saberia me dizer por que esse vinho ficou tão famoso?

– Caiu no gosto das pessoas. E sua história é até, diria eu, singela. Os marinheiros que aportavam naquele ponto do Atlântico, vindos de altos e distantes mares, chegavam com a boca amarga de tanto sal, de tanta carne seca e de tanto rum ordinário. Ciente disso, uma senhora de nome Maria de Lurdes, que comercializava vinhos e pastéis de Belém.

– Belém do Pará?

– Exato. Eram pastéis de pirarucu salgado que chegavam com as naus oriundas justamente de nossa terrinha. Juntando, pois, os sais todos, dona Maria intuiu que, se adicionasse uma boa quantidade de açúcar ao vinho, talvez os marujos o recebessem com redobrada alegria.

– Olha só que história interessante! E esse vinho ganhou o mundo!

– A outra dica foi para que ficasse tranquilo e até abusasse da boa oferta de comidas e bebidas porque a qualquer momento, estando em Portugal, você pode contar com o fabuloso caldo verde detox.

– Que também ganhou o mundo! Se bem que em alguns locais o chamam de suco verde.

– Isso vai de acordo com a região.

– E mais alguma indicação.

– Para ele, não, mas para outro que está indo para Quebec, no Canadá, listei os melhores locais para ele provar os melhores lombinhos canadenses! 

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Papinho Gourmet by Ingrid Matuoka — last modified 03/10/2016 14h53
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