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Número 915,

Saúde

Prevenção

Germes, asma e alergia

por Drauzio Varella publicado 26/08/2016 09h30, última modificação 28/08/2016 06h18
Alergias têm a ver com estilos de vida. E há dietas que ajudam na proteção
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Imunidade

Eles têm mais imunidade. A ciência pesquisa por quê

genética tem grande influência na suscetibilidade à asma e aos quadros alérgicos. Se um dos pais apresenta uma dessas doenças, os filhos correm mais risco de desenvolvê-las, quando são os dois pais, a probabilidade aumenta.

Nos últimos 50 anos, entretanto, o crescimento dramático do número de casos nos países ocidentais sugere que o ambiente tem importância crucial.

O impacto da exposição ambiental ficou claro quando estudos conduzidos na Europa Central mostraram que crianças criadas em contato com vacas leiteiras ficavam relativamente protegidas contra asma e alergias.

A proteção foi atribuída ao contato com germes que estimulariam a resposta imunológica, embora os mecanismos envolvidos permanecessem obscuros.

Para esclarecê-los, um grupo da Universidade de Chicago comparou a prevalência de asma e alergias em duas populações americanas que vivem apartadas do resto da sociedade: a dos amish, que emigraram para os Estados Unidos no século XVIII, e a dos huteritas que o fizeram no século XIX.

Os amish fugiram da Suíça, por ocasião da Reforma Protestante, e formaram as primeiras comunidades no estado de Indiana. Por razões semelhantes, os huteritas saíram do Tirol e se estabeleceram em Dakota do Sul. A partir daí os casamentos intracomunitários mantiveram esses grupos reprodutivamente isolados.

Curiosamente, a prevalência de asma e alergias entre os amish é significativamente mais baixa do que nos huteritas.

O estilo de vida de ambos é semelhante em diversos aspectos que afetam a incidência das duas enfermidades: famílias numerosas, dietas ricas em gordura e leite não pasteurizado, índices altos de vacinação, baixa prevalência de obesidade, amamentação prolongada, exposição mínima ao tabaco e à poluição e tabus contra animais domésticos no interior das casas.

Há uma diferença, no entanto: enquanto os amish se dedicam à agricultura tradicional, os huteritas vivem em comunidades agrícolas industrializadas.

Foram estudadas 30 crianças em idade escolar de cada grupo. A prevalência de asma foi de 5,2% entre os amish e de 21,3% entre os huteritas. Quadros alérgicos ocorreram em 7,2% e 33%, respectivamente.

Os pesquisadores coletaram amostras de poeira da casa dos participantes, prepararam culturas e isolaram os lipopolissacarídeos presentes nas membranas externas das bactérias encontradas.

Em laboratório, colocaram esses lipopolissacarídeos em contato com linfócitos dos dois grupos: os dos amish produziam maiores quantidades dos mediadores característicos da imunidade inata.

Em seguida, testando camundongos portadores de asma alérgica, os autores demonstraram que a poeira das casas amish foi capaz de suprimir a indução de fenômenos inflamatórios nas vias aéreas dos animais.

Os achados comprovam que a exposição à poeira das fazendas em que as crianças têm contato com os estábulos ativa a imunidade inata e provoca respostas imunológicas alternativas que previnem a asma e outros processos alérgicos. 

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