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Número 915,

Cultura

Papinho Gourmet

Com açúcar, com afeto

por Marcio Alemão publicado 29/08/2016 04h49
Fazer um bolo era um gesto de carinho
iStockPhoto
Naked-Cake

- Meu caro, saiba, a partir de agora, que a moda, a onda, o que bomba em casamento de bacana é o naked cake

–Lembra do Papinho sobre bolos?

– Lembro. A gente falou sobre o bolo espetáculo, bom pra ver.

– Pois então. Prova de que somos dois ignorantes completos no assunto.

– Como assim?

– Meu caro, saiba, a partir de agora, que a moda, a onda, o que bomba em casamento de bacana, em festas de pessoas descoladas e bem informadas...

– Que não é o nosso caso.

– Exatamente: é o naked cake!

– Bolo pelado?

– Em uma tradução tosca e de mau gosto seria isso. Basicamente, o naked não leva a cobertura de massa fondant, de pasta. Dá uma olhada no site bolosdaana.com.br 

– Depois eu olho, me conta mais.

– Depois daquele Papinho, por ser amigo da Ana Cristina nas redes sociais, decidi vestir as sandálias da humildade e falar com ela.

– E ela te massacrou.

– Foi extremamente gentil, elogiou a matéria, mas foi explicando, com muita propriedade, que este momento do bolo só pra ver já ficou no passado. Como para tudo que se põe na boca, hoje em dia, a exigência aumentou muito.

– Faz sentido. 

– A mudança é recente, o que de certa forma nos exime de um vexame.

– Recente quanto?

– 25 anos.

– O que são 25 anos na vida de Buda?!

– O que parece é que alguém fez uma perguntinha simples: não dá pra ser gostoso além de bonito?

– E foram atrás.

– A base, me conta Ana Cristina, não mudou. Falamos da farinha, dos ovos e da gordura, a manteiga, além do açúcar, claro.

– E bolo sem açúcar? 

– Ela faz, muitos fazem, mas bolo sem açúcar é muito semelhante a cerveja sem álcool. É feijoada vegana, é churrasco de tofu. Melhor evitar. 

– Voltando para o tal do naked, acabei de dar uma olhada no site. Tem um aspecto muito mais de verdade, meu chapa. 

– Esse é o ponto que me encantou. Aquele aspecto de um bolo feito totalmente de massa corrida ou plástico acabou. Você vê a textura da massa, percebe o recheio, sente a leveza.

– Muito curioso perceber que o bolo reassume o seu lugar, sua função... deixa eu explicar melhor: fazer um bolo era um gesto de carinho. 

– Um clássico. Receber uma visita para o lanche sem bolo poderia ser considerado uma afronta.

– E esse bolo bom, gostoso, voltou a ocupar a mesa dos nubentes, a mesa dos festejados.

– Curiosamente, ele tem um aspecto muito mais sofisticado que os espetaculares.

E o que me conta Ana Cristina é que basicamente mudou o comportamento das pessoas que frequentam essas festas. A turma aguarda com alegria o momento de cortar e provar o bolo. Bolo de festa, hoje, tem de ter sabor.

– Lembro como era. Uma garfada por educação e o pratinho iria para o canto.

– Recheios me conta ela. Recheios que também pouco têm a ver com o creminho clássico. Recheios comandam a mudança juntamente com a montagem, que parece ser parte de mãos delicadas, porque não dá mais pra passar o reboque da massa.

– E se quiser encomendar para a Ana?

– Entra na página Bolos da Ana no Facebook. Mas temo que seja só para Minas Gerais.

– Sortudos, eles.