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Número 913,

Saúde

Prevenção

Câncer de pâncreas

por Riad Younes publicado 12/08/2016 12h06
Um medicamento novo reduz em mais de 40% o risco de 0 tumor voltar a aparecer após uma cirurgia
iStockPhoto
Pâncreas

"O primeiro dos bens, depois da saúde, é a paz interior"

Conhecido e temido por todos, pacientes e oncologistas, o câncer de pâncreas ainda é considerado um dos tumores mais agressivos do corpo. Uma minoria de pacientes sobrevive a longo prazo, cinco anos ou mais, após o diagnóstico. Geralmente encontrado em fase mais avançada, raramente se presta a tratamento cirúrgico radical, com chances mais interessantes de controle da doença e de vida longa. 

Esses fatos se mantiveram estáveis até o surgimento recente de estudos científicos que chamaram a atenção de todos. Pacientes estão se beneficiando claramente de tratamentos quimioterápicos convencionais ou modernos, dirigidos a alvos moleculares preestabelecidos. 

Em recente editorial publicado na conceituada revista Lancet Oncology, uma gama grande de pesquisas está abrindo um horizonte mais claro no manejo de tumores malignos de pâncreas. O mais surpreendente foi a introdução de um medicamento (uma fluoropirimidina chamada S-1), basicamente aplicado hoje em dia no Japão, conseguiu reduzir em mais de 40% o risco de o tumor voltar a aparecer após uma cirurgia com intenção curativa, comparada com o tratamento de quimioterapia clássica. 

Essa diminuição drástica da mortalidade por câncer no grupo que recebeu a S-1 incentivou muitos grupos de pesquisa a iniciarem estudos para confirmar os resultados encorajadores.

Os oncologistas também não perderam tempo e aproveitaram as novidades da imunoterapia em câncer para testar sua eficácia em câncer de pâncreas avançado, sem condições de tratamento cirúrgico local. Iniciaram um conjunto de estudos experimentais que associam o recurso imunoterápico aos esquemas já conhecidos de quimioterapia convencional. Apesar de ainda em fases muito iniciais da pesquisa clínica, os resultados podem mostrar um novo caminho para driblar a clássica resistência dos tumores malignos do pâncreas às manipulações imunológicas mais comuns. 

Os resultados recentemente publicados com uma nova classe de inibidores de receptores que bloqueiam a ação de células da defesa natural dos pacientes, chamados de CCR2, são muito interessantes, principalmente quando foram administrados em conjunto com quimioterápicos eficientes. Estudos semelhantes em camundongos também levaram à redução dos tumores de forma nítida.

O entusiasmo dos oncologistas com essas novas abordagens e os novos esquemas terapêuticos podem significar, em futuro muito próximo, outras esperanças concretas para o controle mais eficaz do câncer de pâncreas. O otimismo é cauteloso, mas cada vez mais sólido. 

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