Você está aqui: Página Inicial / Revista / Os apuros de Temer / Desfile de bolos
Número 911,

Cultura

Papinho Gourmet

Desfile de bolos

por Marcio Alemão publicado 29/07/2016 12h23
Não entendo os bolos metidos
iStockPhoto
Alice

Mas um bolo de festa tem essa missão muito clara: enfeitar a festa

- Bolos.

– O quê?

– Não entendo.

Qual parte? O recheio ou a cobertura?

Os bolos metidos.

Bom pra olhar.

Esse é o ponto. 

Esse é o ponto de todo doce muito elaborado.

Fico pensando o que aconteceria se dessem para um confeiteiro a missão de refazer a feijoada.

Um redesenho, se essa palavra existisse.

São talentosos esses profissionais. Não duvido que decupariam a feijuca e nos entregariam alguma coisa muito rica visualmente.

E aí voltamos ao princípio: pra ver ou comer?

Comemos com os olhos.

Também. Mas um bolo de festa tem essa missão muito clara: enfeitar a festa. Ninguém espera que se apresente um bolo de fubá de quatro andares.

 Seria original. Todo mundo comentaria.

E, provavelmente, todo mudo comeria, o que nem sempre acontece com o bolo do casamento.

Já leu ou viu crítica de bolo de casamento?

Taí uma oportunidade de trabalho novo. Quem sabe, aqui na Carta, a gente possa começar a oferecer esse serviço? Vamos à festa e fazemos uma avaliação da comida, do serviço.

O casal ganharia exatamente o quê?

Como assim?

O casamento deles foi muito bem avaliado.

Espera. A festa do casamento. O casamento é outro profissional que avalia.

Ainda assim, como diriam os anglicanos, so what?

E o prestígio, não conta? Imagine esse casal, agora, na temporada do João Doria, em Campos do Jordão. Todo mundo apontando e dizendo: “Olha, aquele é o casal cuja festa de casamento teve cinco estrelas na avaliação do Marcio Alemão!

– A gente tá brincando, mas imagina quanto um desses manés que não sabem mais onde jogar a grana, quanto não pagaria para ter uma crítica enogastronômica da festa de casamento, deles, dos filhos, netos.

Talvez você tenha razão. E sobre os bolos?

– E sobre os milhares
de lojas de “bolos caseiros” que vieram com as paletas mexicanas?

– Torço para que tenham prosperado, apesar de ter dúvidas.  Todavia, esse bolos nada têm a ver com os artísticos.

– Trabalho de precisão, de paciência e de extrema criatividade. Confesso, no entanto, que nunca consegui fazer uma degustação nem vi uma. 

– Quer saber? Esses bolos não lembram um pouco os desfiles de fantasia dos gloriosos tempos de Clóvis Bornay e Evandro de Castro Lima.

Bingo! Era a cereja que estava faltando.