Você está aqui: Página Inicial / Revista / Moralistas imorais / O bem-estar em cinco passos
Número 910,

Saúde

Prevenção

O bem-estar em cinco passos

por Riad Younes publicado 25/07/2016 10h25
Duas pesquisas, com 34 anos de diferença, mostram por que prevenir é mais fácil que remediar
Dieta

Um entre três americanos pesquisados bebe mais do que o recomendado e está acima do peso

O custo de ficar saudável é barato. Pelo menos evitar doenças crônicas e fatais está ao alcance de todos. Esta era a conclusão de um estudo muito extenso realizado pelo Departamento de Saúde do governo dos Estados Unidos, publicado em 1982. Trinta e quatro anos depois, e milhões de dólares gastos em mais pesquisas e medicamentos novos, as conclusões continuam as mesmas.

Para se evitarem doenças crônicas graves, os melhores passos a serem adotados resumem-se a meros cinco: não fumar, fazer exercício físico regular e adequado, evitar bebidas alcoólicas ou as consumir em quantidades pequenas, manter peso e índice de massa corpórea normal e, finalmente, dormir sete horas ou mais por dia.

A primeira pesquisa, realizada no fim da década de 70 por um time de epidemiologistas liderados pelo doutor D. L. Wingard, foi um marco para orientar as autoridades de saúde e as sociedades médicas para o rumo das políticas de saúde e das recomendações para uma vida saudável.

Trinta anos depois, foi a vez do estudo por dr. Yong Liu, do Centro de Controle de Doenças (CDC), também nos EUA, para ver quão eficientes foram as medidas tomadas sobre o comportamento da população americana.

A recente publicação dos resultados na revista Prevention of Chronic Diseases é, no mínimo, curiosa. Os cientistas do CDC avaliaram mais de 400 mil americanos de todos os estados da União, mais de 80% eram não fumantes (nunca fumaram ou já haviam abandonado o cigarro na época do estudo). Quase a metade (50,4%) se exercitava de forma adequada e regular.

Mais de 37% dos adultos pesquisados afirmaram que regularmente dormiam menos que sete horas por noite e consumiam elevadas quantias de bebidas alcoólicas. Somente um terço dos voluntários tinha peso adequado. 

O bom lado dessa pesquisa é que somente 1,4% das pessoas não tinha nenhum dos hábitos recomendados. A má notícia é que apenas 6,3% da população havia efetivamente adaptado as cinco recomendações.

Os grupos com maior probabilidade de adotar os cinco hábitos são as mulheres, os idosos com mais de 65 anos, as pessoas com educação superior e os asiáticos. Ao mesmo tempo, a maioria das pessoas regularmente com os cinco hábitos saudáveis se concentrava nos estados do Oeste norte-americano. Os piores resultados estavam no estados centrais e ao Sudeste dos EUA.

Cientistas recomendam que as medidas adotadas até a presente data teriam de ser reavaliadas e novas orientações mais específicas e eficientes deveriam ser implementadas para aumentar a adesão da população aos hábitos simples e saudáveis e diminuir a disparidade entre cidades, estados e regiões do mesmo país.

Sugerem intensa colaboração entre sistemas de saúde, comunidades, locais de trabalho e escolas, que poderiam promover mudanças de hábitos na população, principalmente entre as camadas menos favorecidas da sociedade.

O mesmo é verdade para o Brasil. É mais barato e eficiente evitar doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, câncer, infarto e derrame, do que tratá-las.