Você está aqui: Página Inicial / Revista / Golpe: a prova dos noves / Rato de livraria digital
Número 903,

Tecnologia

Tecnologia

Rato de livraria digital

por Felipe Marra Mendonça publicado 08/06/2016 04h42
Programa do Google lê 3 mil romances para exprimir a mesma ideia de modos diferentes
iStockphoto
Inteligência artificial

Uma das metas é fazer a inteligência artificial "falar" com naturalidade

Um computador Google conseguiu, pouco tempo atrás, bater o campeão mundial do jogo Go, um marco importante no avanço da inteligência artificial. O feito mostrou que, em termos de processamento, a tecnologia vai muito bem, mas a empresa quer também que a inteligência artificial aprenda a “falar” com naturalidade. 

A solução inovadora e curiosa é fazer um programa “ler” quase 3 mil romances, daqueles antes comprados em bancas de jornal, com cenas bastante quentes. “Esses romances são bons para treinar a rede neural a entender a linguagem, pois esse tipo de literatura tende a exprimir a mesma ideia de várias maneiras diferentes”, disse Jason Freindenfelds, gerente sênior de comunicações do Google.

“Existe um número fixo de enredos nesses livros, mas é preciso escrever sempre novas versões. Isso significa que o sistema aprende várias maneiras de transmitir uma ideia”, completou. Assim, o sistema aprende que a língua, ao menos a língua inglesa, na fase atual do projeto, possui diversas alternativas de uso num mesmo contexto.

Longe da inteligência artificial, o Facebook foi acusado de manipular as notícias mostradas aos seus usuários. A manipulação aconteceria por parte de sua equipe de curadores, com uma tendência a selecionar notícias de veículos mais liberais, mesmo quando os fatos jornalísticos são cobertos por outros meios de comunicação, mais conservadores. 

Em entrevista dada ao site Gizmodo, um dos jornalistas responsáveis disse que essa tendência não era algo ditado pelos executivos da rede social, mas algo que acontecia naturalmente por causa do perfil dos responsáveis pela seção.

A única instrução, segundo o mesmo entrevistado, era inserir notícias consideradas importantes entre as mais lidas, caso essas fossem ignoradas pelos usuá­rios da rede social, como a queda do voo MH370 ou os atentados em Paris.

Depois dessas revelações, o comitê de comércio do Senado dos Estados Unidos, responsável por questões de mídia, proteção ao consumidor e internet, enviou uma carta ao CEO da empresa, Mark Zuckerberg, com um pedido de esclarecimentos sobre a questão. O senador republicano John Thune, líder do comitê, quer saber se de fato existia uma manipulação política das notícias e se a empresa pretende punir os responsáveis.