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Número 895,

Cultura

Papinho Gourmet

Meu doce paladar infantil

por Márcio Alemão publicado 10/04/2016 05h52
E o chocolate foi mais um que entrou na gourmelândia
Ilustração: Estella Maris Foto: IstockPhoto
Chocolate Gourmet

– De volta ao chocolate, já provou os que são praticamente cacau 100%?

–De um mal não padeço: a chocolatria.

– Também não.

– Mas diria que o assunto tem superado em muito o dos salgados da Páscoa.

– Chocolate é mais um que entrou na lista do “você não sabe o que é comer/beber isso, seu ignorante”.

– Entrou na gourmelândia.

– Criaram-se critérios para uma boa avaliação.

– Sabe quais são?

– Desconfio que sejam aqueles que provam que um chocolate ruim é que, na verdade, é o bom.

– Geralmente funciona assim. 

– Até modelos fotográficos, hoje, seguem esse mantra: as feias são as bonitas.

– Lembro quando todo mundo odiava chocolate amargo, até que os experts começaram a nos explicar que esses, sim, eram os verdadeiros bons chocolates.

– Será que Freud explica? O sabor doce da infância não permanece. De um modo ou de outro aparecem um lobo mau, um gigante, uma bruxa...

– Ou um expert.

– Que vai nos roubar o doce e deixar o amargo.

– Não fosse assim nenhuma bebida alcoólica teria chance.

– O que salva o álcool é o barato que ele dá.

– Menos, vai.

– Se formos falar em termos estatísticos, é provável que eu esteja certo e que a maioria beba pelo prazer de sair fora do ar, subir alguns degraus.

– De volta ao chocolate, já provou os que são praticamente cacau 100%?

– Provei. Não provo mais, não compro e não recomendo. Chocolate pra mim tem aquele lado positivo que pode ajudar a família. Na 25 de Março se pode comprar vários kits e maravilhas podem ser feitas em casa.

– Aí vai pra rede social, coloca foto, o amigo dá muitos likes e isso pode vir a livrar o mês de quem não anda encontrando serviço.

 – A comida é sempre uma saída. Esse lado eu acho sensacional. 

– Hoje você encontra máquina de fazer coxinhas, croquetes, nhoque, churros, pão de queijo.

– Pode vender esses salgados, chocolates e bebidas na porta de baladas que a prefeitura, pelo menos a de São Paulo, não te incomoda.

– Comida e marginalidade sempre caminharam juntas por aqui. Mas, caso você pense em fazer a coisa dentro da lei...

– Ouvi dizer que é mais complicado.

– Resumindo, não rolaram muitos ovos do seu lado.

– Não fiz questão. Um Diamante Negro e um Laka e meu infantil e ignorante paladar está satisfeito. E o bolso agradece.