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Número 890,

Saúde

Hormônios

Testosterona para idoso

por Riad Younes publicado 05/03/2016 21h32
A reposição hormonal ajuda, mas não chega a ser o elixir da eterna juventude
testosterona

A prática de prescrever a testosterona para homens mais jovens deve ser revista com muito critério

A reposição em homens idosos de testosterona, o hormônio masculino produzido pelos testículos, tem sido uma controvérsia nos últimos anos. Não há dúvida de que o homem, à medida que envelhece, experimenta alterações progressivas na concentração desse hormônio no seu sangue. Acompanham essa redução mudanças na libido, na força muscular, na atividade física e sexual, na vitalidade e na capacidade mental e cognitiva e um aumento no risco de doenças cardiovasculares graves, como infarto e derrame. 

Apesar da concomitância da redução dos níveis de testosterona e do aparecimento desses sinais importantes do envelhecimento, os especialistas não conseguiram definir se a causa de todos os males da idade seria a deficiência de testosterona, nem conseguiram demonstrar que, elevando os níveis desse hormônio, necessariamente devolvem-se todos esses sintomas aos níveis normais. Os estudos disponíveis na literatura médica não ajudavam os especialistas a decidir, de forma convincente, se um idoso teria benefícios com a reposição de testosterona ou não. 

Há poucos dias, pesquisadores dos NIH, institutos nacionais de saúde dos Estados Unidos, liderados por Peter Snyder, divulgaram na revista New England Journal of Medicine, os primeiros resultados científicos de um estudo muito bem desenhado, que tinha por objetivo identificar o impacto da reposição hormonal masculina em três problemas associados com o envelhecimento: função sexual, atividade física e vitalidade. 

Avaliaram 790 homens com idade superior a 65 anos, com concentração diminuída da testosterona no sangue e já apresentando sintomas claros do envelhecimento. Foram sorteados para receber, durante um ano, testosterona em forma de gel ou placebo, forma sem efeito biológico. Os resultados desse extenso estudo mostraram que o grupo de idosos que recebeu testosterona teve a concentração do hormônio no sangue aumentada a níveis considerados normais, correspondentes a jovens de idade entre 19 e 40 anos. Essa elevação da testosterona se associa à melhora significativa da atividade sexual, da vontade sexual e da função erétil. Por outro lado, a reposição hormonal melhorou pouco a capacidade de andar, assim como a perda de vitalidade. Parece que os homens que receberam testosterona apresentaram discreta melhora do humor e dos sintomas de depressão. 

Durante o período desse estudo, os pesquisadores não encontraram efeitos colaterais importantes da testosterona nem mudança no risco de infarto ou de derrame. Em editorial que acompanhou o artigo na revista, o doutor Eric Orwoll, professor de medicina da Universidade do Oregon, em Portland, elogiou o desenho rigoroso do estudo, mas alertou os pacientes e os médicos que a reposição de testosterona não é uma panaceia ou elixir da juventude eterna. Seus benefícios, como demonstrado, foram determinados em pessoas idosas com mais de 65 anos. 

A prática de prescrever a testosterona para homens mais jovens deve ser revista com muito critério. Ao mesmo tempo, o doutor Orwoll lembra que o período de observação do estudo é relativamente curto, somente um ano, o que não afasta efeitos colaterais e até riscos cardiovasculares em prazo mais prolongado. Portanto, recomenda que idosos com os sintomas acima descritos avaliem individualmente com seus médicos os benefícios e os riscos associados à reposição. Para os mais jovens, muito cuidado.