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Número 886,

Economia

Tecnologia

Homens versus máquinas

O Google esquenta a disputa entre computadores e humanos, iniciada no torneio de xadrez entre o Deep Blue, da IBM, e Garry Kasparov
por Felipe Marra Mendonça publicado 08/02/2016 05h56
Ilustração: Estella Maris. Foto: iStockphoto
AlphaGo

O programa AlphaGo bateu cinco vezes o campeão Fan Hui

A semana trouxe a notícia da conclusão de mais uma rodada da competição entre o homem e o poder de processamento dos computadores. O Go, jogo utilizado na disputa, consiste no confronto entre dois participantes que posicionam pedras de cores opostas até um deles dominar o tabuleiro.

A regra é simples, mas a estratégia é muito complexa e vários especialistas acreditavam que os programas de inteligência artificial demorariam mais uma década até vencer o ser humano.

Em artigo publicado na revista Nature na quarta-feira 27, engenheiros da DeepMind, divisão de inteligência artificial do Google, revelaram que o programa AlphaGo conseguiu bater cinco vezes seguidas o campeão europeu da modalidade, o chinês Fan Hui.

Demis Hassabis, CEO da divisão, disse em entrevista à BBC que o primeiro passo do programa foi estudar os diferentes jogos e, a partir daí, identificar semelhanças e repetições. 

“Depois de analisar os jogos, o programa elaborou diferentes versões das partidas milhões e milhões de vezes, melhorando a cada vez, aprendendo com seus erros”, disse Hassabis. “Ele aprende quais jogadas são boas e quais são ruins e desenvolve uma espécie de intuição para o jogo.

Feito isso, com esse conhecimento ele pode planejar as partidas a longo prazo”, explicou o engenheiro.

O aprendizado dos computadores começou nos anos 1950, com o jogo da velha e suas cerca de 360 mil progressões possíveis. Nos anos 1990, houve a famosa vitória do Deep Blue, da IBM, sobre o então campeão Garry Kasparov no xadrez, com mais de 9 milhões de jogos possíveis.

O número de jogos do Go já foi comparado ao número de átomos no universo, daí a importância de uma inteligência artificial que consiga dominar sua complexidade.

Fazer com que computadores aprendam a melhorar a qualidade das suas decisões pode abrir o leque daquilo que é possível obter com diferentes inteligências artificiais, desde o auxílio em decisões de compra e venda de ações até diagnósticos médicos.

De volta ao jogo, o Google quer agora desafiar o campeão mundial, o também chinês Lee Se-dol. Em declaração ao Guardian, Lee disse estar “confiante em poder ganhar pelo menos dessa vez”. Os humanos resistem.

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