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Número 882,

Cultura

Livro

Thomas Mann vê a marginalidade extraordinária

por Rosane Pavam publicado 08/01/2016 23h58
Companhia das Letras relança obra do escritor com tradução de Herbert Caro
DPA/Corbin/Latinstock
Thomas-Mann

Filho de brasileira, Mann viveu as consequências dessa ascendência

Thomas Mann provava a diferença em terras europeias por ter mãe brasileira. Escritor a desenhar a solidão, a marginalidade do artista e a pessoa extraordinária, viveu naquele momento em que a expressão individual começava a constituir exigência da arte.

Publicada em 1903, quando ele contava 28 anos, sua novela Tonio Kröger expunha a separação social em razão da ascendência exótica. Igualmente escritor, Kröger entendia-se maior em inteligência e artifício do que os loiros do vasto trigal alemão.

E, embora não desejasse ser visto como um burguês, alguém na narrativa o condenava justamente pela indiferença e pelo acúmulo, os pecados do capitalista. 

O livro de juventude que ele considerava essencial vem reeditado agora, pela Companhia das Letras, junto à obra concluída nove anos depois, A Morte em Veneza (200 págs., R$ 44,90). Na tradução de Herbert Caro, torna-se um fim definido, “a” morte.

Novamente um escritor, porém de longa e reconhecida carreira, reflete sobre seu meio. Gustav Aschenbach havia negado a fruição pessoal em nome de exercer seu ofício, mas na maturidade decide relaxar um pouco.

Encontra a beleza na figura de um jovem de 14 anos e logo experimenta uma desintegração da existência. Em outro volume publicado agora, o monumental Doutor Fausto (1947, Companhia das Letras, 624 págs., R$ 34,90), o dilema do escritor apaga-se diante da alegoria à demoníaca ascensão nazista.

“Os homens ignoram a razão por que cingem a obra de arte de glória determinada”, escreve em A Morte em Veneza. “Longe de serem peritos, creem descobrir nela um sem-número de qualidades que justifiquem tamanhos elogios. Mas o verdadeiro motivo de seus aplausos é algo incomensurável, é a simpatia.”  

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