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Número 882,

Cultura

Música

Cidadão Instigado revisa raízes com outras garras

por Tárik de Souza — publicado 11/01/2016 05h49
Músicos revezam instrumentos em disco que os mantém numa encruzilhada entre Pink Floyd e Odair José
Haroldo Saboia

No começo dos anos 1970, a primeira geração pós-rock do estado, liderada por Fagner, Belchior e Ednardo, recebeu o carimbo genérico de Pessoal do Ceará.

Formado por quatro cearenses e um paulista, o grupo Cidadão Instigado, radicado em São Paulo, conecta guitarras e nordestinidade, por um viés alt brega, numa encruzilhada estética onde se conjugam Pink Floyd, psicodelia e Odair José.

Após O Ciclo da Dê.cadência (2002), O Método Tufo de Experiências (2005) e UHUUU! (2009), o grupo desembarca no quarto disco  alicerçado pelo trabalho-solo dos integrantes com artistas como Otto, Céu, Vanessa da Mata, Arnaldo Antunes e DJ Dolores. 

Fortaleza (Cidadão Instigado, Independente) revisa raízes com outras garras. A começar pelo revezamento de instrumentos a redimensionar a timbragem da banda. Só Fernando Catatau (guitarra e voz) e Clayton Martin (bateria) permaneceram em seus postos.

Dustan Gallas dividiu-se entre teclados e guitarra, Regis Damasceno e Rian Batista, baixo e violão. A terra natal de quatro dos cinco integrantes é alvejada pela cantoria eletrônica da distópica faixa-título: A elite foi pros prédios e o povo sem perceber/ que a fortaleza bela/ ninguém mais podia ver/ culpa desses governantes que nos pisam com poder.

Rock com guitarras melodiosas, Ficção Científica adverte: que o fim é/ é o futuro/ e nós já estamos lá. O apartheid do patrimonialismo escorre da marcial progressiva Green Card e a renitente balada Os Viajantes forja seu roteiro na caminhada.

Não falta o arquétipo sentimental (Dizem que sou louco por você, Até que enfim, Perto de mim) depurado pelos exímios artífices instigados.