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Número 882,

Cultura

Música

Arquiteto de atmosferas

por Tárik de Souza — publicado 07/01/2016 05h21
Ruivo em Sangue, terceiro álbum de Gui Amabis, sublima nova aproximação com Portugal em música
José de Holanda
Gui-Amabis

O compositor gravou grande parte do álbum em Lisboa

Neto de imigrantes portugueses, o músico, compositor e produtor Gui Amabis esmiuçou a ancestralidade no disco de estreia-solo, Memórias Luso Africanas (2011), com intromissões de ases das novas ramificações da MPB como Céu, Criolo, Tulipa Ruiz, Tiganá e Lucas Santtana. Neste terceiro CD, após Trabalhos Carnívoros (2012), empreendeu outro tipo de aproximação com Portugal, a partir da produção do disco e participação em shows da cantora e compositora Rita Redshoes, entre 2013 e 2014.

Além das frequentes andanças solitárias pela cidade, em Lisboa gravou parte essencial do álbum. Lá, arregimentou um quarteto de cordas (Ana Pereira, Ana Filipa Serrão, violinos, Joana Cipriano, viola, Ana Claudia Serrão, cello) responsável pela atmosfera enevoada de faixas como a sucinta Graxa e Sal (Faz um mal mas é bom/ se derrete na textura/ de um corpo ou da rua). Ou a figurativa Mistas Verdades, parcerias com Regis Damasceno, do Cidadão Instigado, baixista e guitarrista do disco. Imagine toda destreza e astúcia de um tigre/ na fantasia difusa de uma fêmea no cio, pincela a letra.

Escolado na artesania das trilhas sonoras (Bruna Surfistinha, Quincas Berro d’Água, Cidade dos Homens, Senhor das Armas), Gui é exímio arquiteto de atmosferas, como no slow motion epitelial que reveste a faixa-título: Punho e faca em mãos, espero o ataque e desfiro o golpe/ volto ruivo em sangue no movimento natural dos amantes. Há dois temas em inglês (Curve dance dreams e Gathered minds) integrados na articulação do roteiro.

 

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