Você está aqui: Página Inicial / Revista / Rir para não chorar / Reedição relata as viagens e as descobertas de Mário de Andrade
Número 882,

Cultura

Literatura

Reedição relata as viagens e as descobertas de Mário de Andrade

por Rosane Pavam publicado 15/01/2016 06h04
'O Turista Aprendiz' ganha DVD com o documentário 'A Casa do Mário' e um disco com diários do fotógrafo
Arquivo Mário de Andrade
Mario-de-Andrade

Mário de Andrade, integrante do "circo" modernista

Dois anos após a Semana de Arte Moderna, o escritor Mário de Andrade, a pintora Tarsila do Amaral e a dama da aristocracia cafeeira Olívia Guedes Penteado embarcavam em certa cidade mineira plenos de chapéus, calças e vestidos de linho para duelar com a curiosidade pública.

Um popular desejou saber se integravam o circo. Mário de Andrade se virou para Tarsila: “Os elefantes chegam logo?” Ao que ela respondeu: “Chegam logo, sim!” 

O bom humor ainda será entendido como marca modernista a superar a dos versos livres. Fundador das bases que orientam a preservação do patrimônio histórico e artístico, Mário relatou suas viagens em crônicas de jornal em parte para financiá-las.

Somadas às impressões escritas, constituem O Turista Aprendiz (Mário de Andrade, 464 págs., R$ 50. Vendas pelo site do Iphan), reeditado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em parceria com a USP e o IEB. Acrescido de DVD do documentário A Casa do Mário e de um disco com diários do fotógrafo, reúne descobertas posteriores à mineira.

Em 1927, com Olívia, sua sobrinha Margarida e Dulce, sobrinha de Tarsila, Mário navegou por três meses entre Rio de Janeiro e Iquitos, Peru. Em  1928, viu-se no Nordeste, onde conheceu Câmara Cascudo. Registrou cantorias, danças, religiosidade, documentação que se somaria ao conhecimento dos livros.

A poesia borboleteia pelo volume rico mesmo nos dias feitos de nadas. “Belém é a cidade principal da Polinésia. Mandaram vir uma imigração de malaios e no vão das mangueiras nasceu Belém do Pará.” Um dia, ao estranhar-se nesse mundo, Mário colocou o boné: “Olhei no espelho e era eu viajando. Fiquei fácil”.