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Número 880,

Cultura

Cinema

A aventura incandescente

por Rosane Pavam publicado 16/12/2015 05h27
Foi um detalhista das paisagens e do silêncio, abrasador ao encenar a aventura, a história e as paixões.
Lawrence da Arabia

Omar Sharif e Peter O'Toole em Lawrence da Arábia. Para Lean, atores não raro eram tediosos

Um inglês nas nuvens. Assim era o menino David Lean (O Cinema Total de David Lean. CCBB-SP, de 16 de dezembro a 11 de janeiro. http://culturabancodobrasil.com.br/portal/sao-paulo/), perdido para os estudos e iniciado no mundo do trabalho como contador. O tédio que lhe causava o ofício, ele combatia nas salas de cinema, proibidas em sua infância pela educação quaker. Aos 19 anos, em 1927, arranjou emprego na Gaumont britânica e lá cumpriu todas as hierarquias até que lhe entregassem filmes para edição. Montar duas dezenas deles lançou as bases de sua carreira como diretor. Foi um detalhista das paisagens e do silêncio, incandescente ao encenar a aventura, a história e as paixões.

Vítima de um câncer na garganta, morreu aos 83 anos, em 1991, autor de 18 filmes longamente compostos, estes que o Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo exibirá no ciclo O Cinema Total de David Lean. Vencedor de dois Oscars como diretor, por A Ponte do Rio Kwai (1957) e Lawrence da Arábia (1962), ele ganhou várias dezenas de prêmios pelo trabalho como cineasta.
“O filme é a realidade dramatizada, e o trabalho do diretor consiste em torná-la real”, disse certa vez. “O público não deve perceber a técnica enquanto vê o filme.” 

Escalava alguns intérpretes frequentemente, como Alec Guinness, Omar Sharif ou Ann Todd, esta a terceira de seis mulheres com quem se casou. Raramente, contudo, via-se satisfeito com seu elenco. “Atores podem ser tediosos no set, embora eu goste de jantar com eles.” Apontava uma exceção para Trevor Howard em A Filha de Ryan (1970): “Ele foi maravilhoso como o sacerdote que sabia distinguir exatamente o certo do errado, alguém, por isso mesmo, pouco inteligente”. Procurava nesses profissionais uma qualidade de ação, um brilho que o ajudasse a contar a história. “O que fica não é a fala de um personagem, mas o filme em si.”