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Número 876,

Economia

Negócios

Na Fórmula 1, o campeão é o CVC

por Redação — publicado 19/11/2015 13h10, última modificação 19/11/2015 13h13
O mundo da F1 perde em emoção mas, a cada temporada, ganha em receita
Grigory Dukor/ Reuters/ Latinstock
Lewis Hamilton

Lewis e aficionado: a velocidade corre atrás do dinheiro

Uma temporada de Fórmula 1 tão tediosa, que nem aquele entusiasmado palavroso de Galvão Bueno consegue aquecer, chegou a seu penúltimo capítulo, no domingo 15, em Interlagos, com um campeão consagrado com enorme antecedência (Lewis Hamilton, da Mercedes, 345 pontos até agora, 10 vitórias em 17 provas, 80 pódios ao longo da carreira) e nada a oferecer de mais emocionante aos aficionados da velocidade, senão a paisagem das marias-gasolina de shortinho provocante nas vizinhanças dos camarotes e na alameda do pitstop. 

Só outros dois pilotos chegaram, além do tricampeão Hamilton, a ocupar o primeiro lugar do pódio ao longo de todo este ano – Nico Rosberg, também da Mercedes, quatro vitórias, 272 pontos, e Sebastian Vettel, da Ferrari, três vezes vencedor, 251 pontos – o que atesta o desequilíbrio calamitoso entre máquinas e homens em condições de concorrer e os demais, meros figurantes. A minguada audiência da Rede Globo tem muito a ver com o fraco desempenho dos dois brasileiros da F 1, Felipe Massa, da Williams, e Felipe Nasr, da Sauber. Não existem mais Sennas ou Piquets à mão para animar o circo global.

Mas a medalha de ouro da temporada 2015, a se encerrar em Abu Dabi, dia 29, no GP dos Emirados Árabes, vai mais uma vez premiar quem não precisa acelerar nas curvas nem empreender ultrapassagens. O fundo de investimento CVC, uma das ramificações da Delta Topco, com sede nos Estados Unidos, que controla desde 2006 o Formula One Group, descobriu nos circuitos de 300 quilômetros por hora o mais lucrativo de todos os negócios que administra (num total de 80 bilhões de dólares). Os analistas avaliam que uma única temporada de Grand Prix costuma gerar para seu controlador uma receita de 14 bilhões de dólares (53 bilhões de reais). 

O fundo CVC, ao chegar às pistas, revolucionou um business de 65 anos de existência – o qual durante décadas esteve sob o comando do controvertido Bernie Ecclestone e de uma empresa familiar de nome de suspeita sonoridade: Bambino. Ecclestone ainda conserva um pequeno naco do negócio e, como presidente de honra do Formula One Group, circula imperialmente nos bastidores dos autódromos. No entanto, desde os anos 90, os controladores são fundos de investimento e bancos, a exemplo do Lehman Brothers, que foi à bancarrota em 2008 imerso em montanhas de papéis podres. As ações da F 1 é que conseguiram aliviar seu prejuízo.

O que tem ajudado a turbinar os motores do empreendimento é a chegada ao circuito de um dinheiro emergente e promissor. O ingresso da Rússia na Fórmula 1, em 2014, com o Autódromo de Sochi, no Mar Negro, foi uma bênção, assim como tinha sido, de dez anos para cá, a entrada no circuito de Bahrein, Cingapura e Abu Dabi. A renda multiplicou. Tanto que outro poderoso fundo de investimento americano, o RSE Ventures, dono do Miami Dolphins, da Liga de Futebol Americano, pretende, aliado ao Fundo Soberano do emirado do Catar, buscar ao final desta temporada o controle da F 1. Pelo bem ou, se o CVC resistir, através do que os investidores chamam de oferta hostil. 

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