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Número 875,

Sociedade

Papinho Gourmet

Tem de ser divertido

por Marcio Alemão publicado 15/11/2015 07h02
Os foodies consomem tudo, principalmente o dever de ser sem graça
iStockphoto

-Tô indo pra Naples.

Naples, Flórida?

Exatamente. 

Tem alguma coisa interessante por lá?

BaconFest. Dezenas de barracas oferecendo dezenas de possibilidades para se consumir o “fruto doravante proibido”.

Tá brincando? Reunião de suicidas?

Tem até um concurso pra ver quem consegue comer mais.

Tenho uma amiga que recomenda fortemente o bacon antes de se tentar a química, os antidepressivos.

Funciona. Já tentei. Mas, falando em viagem e elevando o nível do papinho, já deu uma olhada no blog da Aiste Miseviciute?

Uma magrela modelo?

Lituana. Chegou a ser top model. Aí acho que bateu uma fome de anos e ela saiu pelo mundo comendo bem.

– Vi num filme, um documentário...

Foodies – A culinária jet set

Lembro que em um restaurante de Hong Kong um camarada comenta que uma refeição pode chegar a 5 mil euros por pessoa.

– Acessa o blog da Aiste. Que inveja, meu amigo! Um dia em Hong Kong, outro em Paris, outro em Barcelona. Em Barcelona, no Bodega 1900, veja a foto do prato de lardo defumado, semelhante ao lardo di Colonnata, com pó de pimenta-vermelha.

Morte certa.

Agonia lenta. Mas eu até que encarava. Como diz um bom amigo, a vida é muito curta pra você comer tofu.

Não sei se você reparou, ou sentiu, que os caras, os tais foodies, são totalmente sem graça. Quase tristonhos. Incluindo a Aiste

Tirando o americano, o tal de Steven Plotnick, que é um mala sem alça que tenta se mostrar alegrão.

O inglês parece que vai se enforcar ao final de cada refeição.

Tem aquela expressão: comeu tanto que ficou triste.

No caso dele e no caso dos demais, tirando o maleta mencionado, tem a tensão. Os caras comem exalando preocupação.

Igual aos bebedores de vinho.

– Igual a todos os manés que decidiram procurar pelo em ovo em tudo que diz respeito ao assunto comida e bebida.

– É de fato interessante esse aspecto. Eles deveriam estar exultantes, comemorando muito após um dos milhares de refeições premiadíssimas que fazem. E não. 

Deixou de ser uma celebração. Virou uma tarefa, um dever.

Como diria algum sábio: se não for divertido não tem graça. Ainda assim, vale a pena dar uma olhada no blog da Aiste e, pra quem tiver interessado no BaconFest, baconfestnaples.com.