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Número 871,

Economia

Tecnologia

O dois em um da Microsoft

por Felipe Marra Mendonça publicado 16/10/2015 03h56
Sob a gestão Nadella, a Microsoft reformula o Windows e aposta no Surface Book
Andrew Burton / Getty Images / AFP
Microsoft

Panos Panay, vice corporativo da Microsoft, em apresentação em Nova York. O primeiro laptop da empresa vira tablet e prancheta eletrônica

mudança no comando da Microsoft, com a entrega do cargo de Steve Ballmer para Satya Nadella, em 2014, parece ter mudado radicalmente os rumos da companhia. Se antes a Microsoft aparentava não ter mais uma estratégia definida em meio ao crescimento cada vez maior de rivais como a Apple ou o Google, agora Nadella parece apostar em hardware como um modo de trazer de volta consumidores atraídos pela concorrência.

Essa aposta foi detalhada em evento da empresa realizado em Nova York na terça-feira 6, com o lançamento de diferentes produtos. “Com o Windows 10 e esses novos aparelhos, nossos consumidores estarão no centro de novas experiências mágicas. Queremos que as pessoas deixem de precisar do Windows e escolham e até amem o Windows, e esses aparelhos prometem aumentar o entusiasmo delas e as oportunidades para todo o ecossistema Windows”, disse Nadella.

O principal deles foi o Surface Book, o primeiro laptop da empresa. O atrativo do aparelho é possibilitar a separação da sua tela da parte de baixo, onde está o teclado, e usar a parte de cima como um tablet. Ou, ao girar a tela e recolocá-la no chassi, fechar o aparelho e usá-lo como uma prancheta eletrônica. O interessante é a separação dos componentes do computador nas duas partes, para permitir que o sistema funcione de modo diferente, conforme o uso pretendido pelo dono.

Outro ponto de destaque do Surface Book é a dobradiça usada para ligar as duas partes, descrita pelo designer-chefe da empresa, Ralf Groene, como “um tapete que desenrola”. Feita de alumínio, sustenta o peso da tela quando o aparelho é usado como laptop e também garante a estabilidade do conjunto, quando transformado em prancheta. 

Esse laptop também pode ser usado como uma caneta digital desenhada especialmente para ele. O acessório mede mais de mil níveis de pressão e permite escrever, desenhar e fazer anotações em documentos. A “borracha” na outra ponta da caneta funciona exatamente como a sua similar tradicional para apagar os rabiscos feitos na tela.

O Surface Book deixa evidente, por trás de todas as inovações, que a Microsoft despertou dos anos de hesitações e percebeu que o caminho para voltar a ter relevância no mercado é arriscar algo realmente novo. Os primeiros sinais são positivos. 

*Reportagem publicada originalmente na edição 871 de CartaCapital, com o título "Dois em um"