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Número 867,

Cultura

Bravo

Ecos da belle époque

por Ana Ferraz publicado 18/09/2015 11h36, última modificação 20/09/2015 09h31
O Rio de Janeiro pelas lentes do pioneiro Alberto de Sampaio
Alberto de Sampaio
belle-bravo

A solidão baldia em Arpoador com Pedra (1907)

Um homem contempla o mar, os pés bem próximos das águas límpidas. O dia ensolarado e de céu despejado de nuvens é um convite aos banhistas, mas ali não há mais ninguém. O registro fotográfico é de 1907 e a praia baldia é o Arpoador. Esta e outras imagens feitas por Alberto de Sampaio, um dos pioneiros entre os fotógrafos amadores no Brasil, vão deixar o ineditismo.

A exposição Lentes da Memória: a Descoberta da Fotografia de Alberto de Sampaio traz ao Instituto Tomie Ohtake 120 fotos feitas pelo advogado, nascido no Rio de Janeiro em 1870, recolhidas de um acervo de 2,5 mil realizadas ao longo de 40 anos. A vida social no Rio da belle époque, o crescimento da então capital federal, os prédios que começam a subir, os primeiros automóveis, tudo interessa ao homem bem-nascido, que tem como hobbies também a pintura e a poesia.

“Pelas lentes de Sampaio observamos uma cidade que se reconstruía continuamente, momento em que fachadas de novos edifícios remodelados, à maneira europeia, eram transformadas na estrutura cambiante da metrópole que surgia”, escreve a arquiteta Adriana Maria Martins Pereira. Ela fazia pesquisas na sede da Sociedade Petropolitana de Fotografia quando encontrou o acervo.

Depois de permanecer cerca de um século guardado na casa do fotógrafo, todo o material foi doado pelos descendentes à instituição de Petrópolis, cidade onde Sampaio nasceu. Outros 30 anos se passaram até a curadora encontrar as imagens, filmes rodados em 16 milímetros, materiais de laboratório e objetos pessoais. O interesse pela vida e obra do fotógrafo amador rendeu mestrado e doutorado.

De posse de grandes câmeras de madeira como a Perken, Son & Rayment, fabricada entre 1892 e 1899, e modelos mais modernos, tais como The Sanderson e a Folding Pocket Kodak, produzida em 1904, o advogado e fotógrafo amador documentou a inauguração da Avenida Central (atual Avenida Rio Branco), em 1905, a abertura do Palácio Monroe na Cinelândia, hoje demolido, em 1906, o eclipse ocorrido em 1907, fotografado do Observatório do Morro do Castelo, as praias cariocas quase sempre desertas e muitas outras cenas.