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Número 864,

Economia

Tecnologia

O Google multiplica-se

por Felipe Marra Mendonça publicado 26/08/2015 02h32
A holding Alphabet nasce inspirada pelo estilo de administração de Warren Buffett
Fortune Live Media
Warren-Buffett

Quase independentes, cada empresa terá um executivo forte no comando

O Google virou Alphabet. A troca de nome é a parte mais visível de uma reestruturação corporativa que tornou a antiga empresa uma controlada desta nova holding, pertencente aos mesmos sócios. Ela agora inclui o próprio Google, a Nest, a Fiber, o braço provedor de internet da empresa, e a Google X, responsável por projetos como o Google Glass. Alguns analistas compararam a nova estrutura da empresa àquela da Berkshire Hathaway, do bilionário Warren Buffett. 

A diferença é que, enquanto a Berkshire Hathaway prefere comprar companhias tradicionais e fazer investimentos seguros, a Alphabet aposta em empresas que podem causar impacto no futuro. Um dos cofundadores do Google, Larry Page, escreveu na página da nova empresa (com o curioso endereço de abc.xyz) que a ideia é se acomodar e “só fazer mudanças paulatinas”. 

“A Alphabet então é uma coleção de companhias. A maior delas, é claro, é o Google. Este novo Google é um pouco menor, e as companhias mais distantes dos nossos principais produtos de internet contidas na Alphabet”, escreveu Page. “Em geral, o modelo é ter um CEO forte que gerencie cada unidade, com Sergey e eu prontos para ajudar quando for necessário”, esclareceu, acrescentando que a nova estrutura “vai permitir que eu tenha mais tempo para escalar ainda mais nossas ambições”.

De certa forma, a transformação do Google em Alphabet escancara o amadurecimento de uma das empresas mais associadas ao dinamismo do setor de tecnologia da Costa Oeste dos Estados Unidos. Isso está refletido no logo da nova companhia.

Enquanto o do Google é supercolorido, mostrando a pluralidade da internet, o da Alphabet é mais simples, na cor vermelha, segura do rumo que toma adiante. O nome contém também a ideia de uma gama de empresas com objetivos díspares, o que permite que qualquer problema ou falência possa acontecer sem afetar negativamente a marca original – o Google.

“O que nos excita é realizar coisas ainda mais ambiciosas, permitir que empreendedores e companhias floresçam… e fazer o Google ainda melhor e mais focado. O que poderia ser melhor? Claro que estamos animados a trabalhar com todos na família Alphabet. Não se preocupem, ainda estamos nos acostumando ao nome também”, concluiu Page. Será uma sopa de letrinhas das mais interessantes.