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Número 864,

Saúde

Síndrome

Forró na cama

por Rogério Tuma publicado 28/08/2015 01h19
Você “dança” enquanto dorme? Pode ser a síndrome das pernas inquietas
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Síndrome das pernas inquietas: um distúrbio do movimento e do sono

A síndrome das pernas inquietas (SPI) é um fenômeno neurológico mais comum do que se imagina, e também de grande importância, pois afeta negativamente a qualidade de vida de quem sofre do problema. Seu tratamento já é possível, mas deve ser conduzido por um médico.

Até o início do século XX, a SPI era considerada rara, hoje sabe-se que atinge entre 2% e 5% da população. Comumente afeta mais idosos e as pernas, mas pode alcançar os braços e indivíduos jovens. Para se ter uma ideia, estima-se que nos Estados Unidos existam 5 milhões de adultos portadores de SPI e mais de 1 milhão de crianças na fase escolar, e é duas vezes mais frequente entre mulheres.

Ela manifesta-se mais comumente à tarde e à noite. A crise inicia-se de forma peculiar, quando paramos e nos deitamos para descansar, e pode continuar durante a noite toda, prejudicando o sono, pois o movimento das pernas acorda o indivíduo e às vezes ele é tão intenso que atrapalha o sono do parceiro de colchão.

Ela é considerada um distúrbio do movimento e do sono. Por que ocorre e qual a sua causa, ainda é pouco entendido. Existem fatores genéticos associados, está ligada à falta de ferro no sangue e parece existirem alterações da área do encéfalo relacionada aos movimentos automáticos e da região do tronco cerebral que interrompe os movimentos quando sonhamos.

Se você tem necessidade de mover as pernas associada ou não a uma sensação incômoda, que ocorre quando se está parado, em geral sentado ou deitado, que começa ou ao menos piora no fim do dia ou à noite e se o incômodo melhora quando começam os movimentos e não existe outra causa evidente, trata-se muito provavelmente da síndrome das pernas inquietas.

A SPI pode estar associada a várias doenças como diabetes, hipertensão arterial, esclerose múltipla, doenças neurodegenerativas. Também pode aparecer durante a gravidez e em quem tem disfunção renal, principalmente em quem faz diálise. Pode piorar a depressão e muitos antidepressivos tendem a desencadeá-la ou piorá-la. O álcool e o cansaço idem.

Ela pode dobrar o risco de termos um acidente vascular cerebral (AVC) ou infarto do miocárdio. Os portadores dessa síndrome frequentemente apresentam cansaço e sonolência durante o dia, pois o aproveitamento do sono é reduzido pelos inúmeros despertares causado pelo balançar das pernas. 

O tratamento não medicamentoso às vezes é suficiente. Evitar cafeína, álcool e cigarro é recomendado. Corrigir deficiências de vitaminas e ferro pode resolver o problema. Fazer exercício leve, tomar banho quente e massagear as pernas antes do sono também provoca efeitos positivos.

Existem medicamentos para o tratamento que incluem drogas utilizadas para o tremor e Parkinson, anticonvulsivantes e analgésicos, mas o tratamento medicamentoso está indicado somente quando o quadro é crônico e persistente, isto é, quando ocorre ao menos duas vezes por semana no último ano. 

Hoje à noite ao deitar, se o vizinho reclamar que você chutou muito, reflita. Se estiver com a cabeça fria e relaxada, a inquietude pode estar apenas em suas pernas.