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Número 858,

Saúde

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Dieta, remédio ou cirurgia

por Riad Younes publicado 16/07/2015 02h40
Enfim, uma droga eficaz para controlar o peso, à margem das dietas. Mas é cedo para comemorar
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O ideal seria discutir as opções e métodos com seu médico e escolher o que mais se adapta à sua personalidade.

Já estamos cansados de ouvir falar da epidemia de obesidade, no Brasil e no mundo, e de seus efeitos devastadores sobre a saúde e a qualidade de vida, mas perder peso continua sendo uma miragem para milhões de pessoas. Há mais de uma década, estudos liderados por pesquisadores suecos confirmaram que a perda de peso era associada à redução de 25% do risco de uma pessoa obesa morrer de infarto ou derrame. Desde então, várias opções foram testadas. Dietas, remédios e cirurgias foram avaliados com consistentes resultados positivos. 

Os resultados da administração de mais um medicamento novo contra obesidade acabam de ser publicados na revista New England Journal of Medicine. A equipe liderada pelo doutor Xavier Pi-Sunyer avaliou mais de 3,7 mil obesos não diabéticos em vários países do mundo, incluindo o Brasil. Após orientação básica sobre estilo de vida e cuidados gerais para controlar o peso, eles foram sorteados para receber tratamento diário de injeção sob a pele – subcutânea – com placebo, ou com uma nova droga chamada liraglutide. 

O estudo era duplo-cego, isto é, nem pacientes nem médicos sabiam qual das duas injeções cada indivíduo estava recebendo. Após 56 semanas, o grupo que foi sorteado para liraglutide havia perdido, em média, 8,4 quilos de peso, comparados com somente 2,8 quilos no grupo placebo. E ainda: três vezes mais pacientes do grupo liraglutide conseguiram perder mais de 10% de seu peso inicial do que no grupo que recebeu somente injeção de placebo. 

Mais interessante foi o número significativamente inferior de diagnóstico de novos casos de diabetes durante o estudo, oito vezes inferior nos indivíduos que receberam liraglutide. Poucos efeitos colaterais apareceram, a maioria relacionada a alterações intestinais. 

Seria essa a solução da obesidade? Ainda não, sugere o doutor Elias Seraj, que comentou o artigo na própria revista. Primeiro, exige uma injeção diária, o que pode ser um inconveniente para muitas pessoas. Segundo, após o término do estudo, as pessoas que pararam de receber a injeção voltaram a ganhar peso progressivamente, o que sugere que a injeção seria necessária por longos períodos, talvez por toda a vida, à semelhança dos medicamentos para controle de colesterol ou pressão alta. Terceiro, o elevado preço da injeção. Quarto, o estudo não demonstrou o impacto a prazos mais longos do que 56 semanas sobre a saúde dos pacientes.  

As dietas, por outro lado, são tão variadas quanto a culinária de São Paulo. A maioria restringe a ingesta diária de calorias, quer seja com carboidratos, quer seja com gordura. Qual seria mais interessante ou mais eficaz? A escolha da dieta seria atribuição do médico ou do obeso? Um estudo realizado nos EUArespondeu a essa pergunta. Tanto faz a dieta, e tanto faz quem decide. Se deixar a escolha à preferência do obeso, ou sorteada por computador, o resultado seria o mesmo. A perda em ambas as dietas, independentemente da forma de escolha, seria ao redor de 5 a 6 quilos, em média, após 48 semanas.  

E a cirurgia bariátrica? Os resultados são mais drásticos, claramente. Os pacientes operados tendem a perder, em média, de 14 a 25 quilos após a operação. 

Por qual optar? Depende muito de quanto peso quer perder, qual a sua condição de saúde para que suporte este ou aquele tratamento, principalmente a cirurgia, e qual seria a sua tolerância individual e aderência à disciplina de tratamento diário ou de dieta restritiva; e, por final, quanto pode gastar por quilo de peso potencialmente perdido. O ideal seria discutir as opções e métodos com seu médico e escolher o que mais se adapta à sua personalidade. Mas a única mensagem de todos os estudos ainda é que a de que obesidade mata, e perder peso é fundamental para reverter os riscos de doenças graves, como diabetes, hipertensão e infarto. 

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