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Número 849,

Sociedade

TV

Torcer e distorcer

por Nirlando Beirão publicado 15/05/2015 04h32, última modificação 11/06/2015 20h26
O futebol na tevê por assinatura não está mais perdendo de goleada para o antiprofissionalismo. Só há um porém
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O futebol na tevê por assinatura

Se há alguma coisa que deu um salto de qualidade na tevê brasileira são as transmissões de futebol, aquelas que se refugiam nos canais por assinatura, bem entendido. E não estou falando só dos progressos tecnológicos.

Novas gerações de locutores e comentaristas entraram em cena, com uma bagagem de informação e conhecimento que contrasta com aquela old school tão confiante na improvisação e no palpite, quando não da mais solerte arrogância. Aquela atitude que também se via em campo vestida de camisa canarinho: nós somos o máximo, os outros são uns joões.

Não, a garotada das ESPNs e assemelhadas habituou-se a fazer a lição de casa, relevando-se até mesmo o eventual didatismo das pranchetas  – enquanto na tevê aberta o modelito Galvão Bueno continua a prevalecer, reiterando um estilo radiofônico, hiperbólico e eufórico, que ecoa a nostalgia azinhavrada da era de um Fiori Gigliotti ou de um Waldir Amaral.

O desconforto que fica para o espectador que ainda pretenda temerariamente confiar na sua própria capacidade de raciocinar é o renitente ranço do jornalista-torcedor, ainda que ele ocasionalmente tente dissimular sua eventual paixão por tal ou qual time. 

A isenção não existe no jornalismo, menos ainda numa zona de paixões à flor da pele como é o futebol, mas eu me permito tirar o som quando pressinto, por exemplo, que as firulas de Neymar e o tiki-taka do Barcelona vão arrancar dos profissionais do microfone as mais cansativas, descabeladas, explícitas cenas de tietagem.