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Número 844,

Cultura

Televisão

'Mad Men', da alta costura ao sonho americano

por Redação — publicado 07/04/2015 03h38
Na era de ouro do capitalismo americano, premiada série garante lugar para suas tramas e figurino único na história da tevê
Frank Ockenfels 3/AMC
Mad Men

Icônicos. January Jones (Betty), Jon Hamm (Don), Jessica Paré (Megan), John Slattery (Roger) e Christina Hendricks (Joan): o bem-vestido elenco de Mad Men

Desde que deram o ar de sua graça na noite de 19 de julho de 2007, os personagens de Mad Men arrancam suspiros, e não só por sua beleza ou pela dramaticidade da trama, que já rendeu dezenas de prêmios à talvez maior série dramática de todos os tempos. O que faz de Don Draper (Jon Hamm), o bonitão e melancólico  diretor de criação da agência de publicidade Sterling Cooper, sua mulher Betty (January Jones), a ex-modelo e eterna housewife, ou Joan Holloway (Christina Hendricks), a diva ruiva que faz às vezes de secretária e mulher mais sexy do planeta, seres únicos, inspiradores são, sobretudo, suas roupas.

Mad Men flui nos anos 1960, era de ouro do capitalismo americano, quando o boom econômico foi seguido pela revolução criativa da publicidade e pela necessidade de demonstrar poder e prestígio no ambiente corporativo. Dimensão que a figurinista Janie Bryant ressaltou, desenhando parte dos looks e garimpado o resto  em brechós e coleções de Hollywood. O resultado é uma mescla perfeita de alta-costura com os símbolos do american dream.

Cada roupa tem uma história. Quando Don deixa sua sala devidamente alcoolizado para encontrar um cliente cuja conta vale milhões, traja um impecável terno italiano, uma de suas incontáveis camisas brancas e uma gravata em tons leves – e, se o frio nova-iorquino pedir, um sobretudo risca-de-giz e um cachecol de lã. No avião, a jaqueta xadrez e o chapéu acompanham o cigarro e a bebida, mas cedem espaço ao suéter e às bermudas quando ele entra no conversível californiano, e logo ao summer jacket e à gravata borboleta no Derby.

Se Betty briga com Don por uma de suas escapadelas, em casa ou num jantar de gala, contra as lágrimas sobressaem o penteado e as joias, o longo ou o traje de equitação milimetricamente calculado. Cada um dos poderosos que saem do elevador da firma desfila seu peso em tecido. Eles gritam, choram, chantageiam-se e se traem por poder e dinheiro num mundo sem moral ou ética. Mas seus trajes seguem irretocáveis.

Mas são elas o destaque. Quando Peggy, a secretária carola que  se tornou a primeira redatora mulher da história, assume o lugar de Don como diretora de criação, lá está ela em calças de estampa vermelho-xadrez. E há Joan, a musa desse mundo onde tudo se vende. Nenhum traje seu aparece sem atrair inveja ou desejo. Os vestidos de cintura alta e decote baixo, que delineiam as curvas generosas em sua variedade infinita de tons e tecidos são impecáveis, ainda mais  com um cinto, laço ou broche. Suas saias cinturadas com bustiês, suéteres justíssimos, scarpins altíssimos – tudo nela exuda sensualidade de escritório. Não à toa, há vários  guias para se vestir como ela (vide o whatwouldjoanwear.tumblr.com).

Difícil é dizer adeus à sedução da voz de Joan, do sorriso de Megan, das cantadas de Roger ou do olhar de rapina de Don. Pois os últimos episódios já estão sendo filmados. É a última temporada da série mais bem-vestida da tevê.