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Número 844,

Cultura

É Tudo Verdade

'É Tudo Verdade' tem despedida de Eduardo Coutinho

por Orlando Margarido — publicado 10/04/2015 03h05, última modificação 10/04/2015 03h51
Festival completa 20 anos com 109 títulos em exibição simultânea no Rio e em São Paulo, incluindo 'Últimas Conversas', finalizado por João Moreira Salles
Welles

Welles em cópia de Verdades e Mentiras

Errol Morris diz que o documentário é obra de ficção com um zero a menos. Alude às dificuldades de viabilizar o gênero. Tudo é mais difícil ao cinema do real e Amir Labaki relembra o documentarista americano para dar conta dos poucos zeros com que organiza há duas décadas seu festival. A 20ª edição do É Tudo Verdade tem muito a celebrar. E o faz com rara seleção de 109 títulos entre sexta 10 e domingo 19 em calendário simultâneo em São Paulo e Rio de Janeiro, extensivo a Belo Horizonte, Santos e Brasília.

Diz muito desse desafio a carreira de Eduardo Coutinho, que ao morrer deixou inacabado Últimas Conversas, montado por João Moreira Salles. Sua estreia abre a vertente memorialística privilegiada a partir de outro projeto interrompido que batiza o evento. It’s All True – Um filme inacabado de Orson Welles relembra a passagem tumultuada do cineasta pelo Brasil. De Welles há cópia nova de Verdades e Mentiras, discussão sobre o falso e o verdadeiro a partir do falsificador Elmyr de Hory.

As homenagens prosseguem e os 80 anos de Vladimir Carvalho são lembrados com dez filmes vitais à reflexão do Brasil, entre eles O País de São Saruê. Seu irmão Walter Carvalho lança Um Filme de Cinema, com depoimentos de Ariano Suassuna e cineastas como Ken Loach. Integra a competição, assim como Eu Sou Carlos Imperial, de Renato Terra e Ricardo Calil, A Paixão de JL, um registro de José Leonilson por Carlos Nader, e Orestes, olhar de Rodrigo Siqueira sobre a Justiça.

Na seção internacional, a memória é cinéfila e histórica. Chamas de Nitrato, de Mirko Stopar, relembra Falconetti, a mítica Joana D’Arc de Carl T. Dreyer. Outra referência, Nazarín, de Luis Buñuel, é revisto por Javier Espada. Em perspectiva diversa, há balanços de época em A França É a Nossa Pátria, do cambojano Rithy Pahn, e Tempo Suspenso, de Natalia Bruschtein, neta de uma das Mães da Praça de Maio. Arriscam-se a olhar crítico e impiedoso Niko Apel e Ludi Boeken ao colocarem o ex-militante  Daniel Cohn-Bendit em Na Estrada com Sócrates. Ele é o anfitrião de um painel das relações do Brasil com o futebol, mediadas pela trajetória do craque.