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Número 840,

Cultura

Design

O Brasil do design na história do mobiliário

por Rosane Pavam publicado 19/03/2015 04h31
Reedição em versão bilíngue de 'Móvel Moderno Brasileiro' mostra o caminho das concepções de Carlos Martinez Carrera, George Warchavchik, Geraldo de Barros e Lina Bo Bardi
poltrona

A icônica Poltrona Mole de Sergio Rodrigues

Na origem do móvel brasileiro, houve uma estrada de caminhos tortos. Percorreram-na grandes artesãos a quem a incipiente indústria tardara a sorrir e criadores plásticos que sucumbiram ao desenho utilitário apenas por se sentirem impossibilitados a outros voos, desolados diante dos horizontes artísticos no País.

Sem uma tradição específica, exceto aquela engendrada em marcenarias familiares, uma vez que a madeira era a principal matéria-prima disponível (ademais largamente aceita) por todo o território, o Brasil comporia o desenho de suas poltronas, sofás, mesas e cadeiras sobre o suor do improviso e da experimentação.

Maria Cecília Loschiavo dos Santos apresentou os pioneiros visuais desta maneira inédita em sua dissertação de mestrado para a Filosofia da USP. O texto, editado para o grande público em 1995, revolucionaria a maneira de pensar o design local não apenas por sua origem em densa pesquisa, mas também porque usava de serenidade e clareza ao apresentar a luta pela modernização.

Ser moderno era também ser nacional e popular? Bem longe disso, ela explica, embora a fúria da Semana de 1922 trouxesse consigo a urgência de renovação. Contraditória, a modernidade brasileira, conforme detectara o próprio Mário de Andrade, raramente descartaria as novidades europeias ou os princípios das linhas burguesas nos lares do arrojado século industrial.

Agora relançado em edição bilíngue, Móvel Moderno no Brasil mostra o caminho de esquivas do mercado às concepções de nomes como os de Carlos Martinez Carrera, George Warchavchik, Geraldo de Barros, John Graz, Lina Bo Bardi, Joaquim Tenreiro ou Sergio Rodrigues. Este, que concebeu a clássica Poltrona Mole depois de um pedido do amigo Otto Stupakoff, precisou falir antes de crescer, enquanto Oscar Niemeyer comporia sua própria espreguiçadeira apenas por reconhecer a escassez de um desenho utilitário a acompanhar a arquitetura moderna. O Brasil do design, antes de tudo, para os fortes.