Você está aqui: Página Inicial / Revista / À beira da recessão / Efeito Charlie: Reino Unido quer restringir comunicação
Número 834,

Tecnologia

Restrição

Efeito Charlie: Reino Unido quer restringir comunicação

por Felipe Marra Mendonça publicado 28/01/2015 05h38
O primeiro-ministro conservador do país, David Cameron, quer bloquear qualquer meio de comunicação que não possa ser interceptado pelos serviços de segurança
Loic Venance/AFP
Tecnologia

Sob efeito do ataque em Paris, Cameron defende maior controle da informação

O massacre de 12 integrantes da redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo no começo do mês pode ter consequências importantes para as liberdades civis no Reino Unido. O primeiro-ministro conservador do país, David Cameron, quer bloquear qualquer meio de comunicação que não possa ser interceptado pelos serviços de segurança, mesmo com mandados judiciais, em caso de nova vitória dos conservadores nas eleições de maio.

“Porque deveríamos permitir a operação, em nosso país, de meios de comunicação que não podemos ler?”, perguntou Cameron durante um evento do seu partido. “A minha resposta é não, não devemos”, concluiu. O problema é que a promessa feita por Cameron poderia efetivamente banir do país serviços como o WhatsApp, o Snapchat ou o iMessage, que já usam a criptografia para proteger as comunicações de seus usuários em cada ponta, impossibilitando uma interceptação por serviços de segurança.

“Os ataques em Paris demonstram o tamanho da ameaça que enfrentamos e precisamos de poderes robustos para que nossas agência de inteligência e segurança possam nos manter seguros”, afirmou Cameron. A restrição dos serviços de mensagens seria parte de um pacote de medidas para forçar operadoras de telefonia e de comunicações a guardar mais dados dos seus usuários, incluindo mensagens em redes sociais.

Outro uso das redes sociais, esse menos invasivo e mais inteligente, também veio do Reino Unido na mesma semana. O Banco da Inglaterra, banco central do país, anunciou que começou a monitorar as redes sociais para garimpar informações sobre o mercado interno. O economista-chefe do banco, Andy Haldane, disse ao canal de notícias Sky News que indicadores como a frequência de buscas por emprego em diferentes sites ou os preços praticados pelos supermercados que vendem online podem ser muito mais precisos e imediatos do que os oferecidos por fontes oficiais.

“As estatísticas tendem a ficar defasadas, logo precisando de revisões.   Ao buscar por esse tipo de dado na internet nós teremos um panorama muito mais imediato. É uma mudança importante na estratégia do banco, uma alteração realmente grande em relação ao nosso passado”, disse Haldane.