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Número 834,

Cultura

Futebol

Como fica?

por Afonsinho publicado 28/01/2015 05h38, última modificação 09/06/2015 16h20
Perdemos a Copa de forma triste e nosso futebol não muda? É hora de radicalizar e peitar a cartolagem
Agência Câmara
Otavio Leite

O deputado Otavio Leite, autor da Lei de Responsabilidade Fiscal

Começa a esquentar o ano esportivo de 2015. O verão já está aí há algum tempo, veio com tudo e resseca o que vê pela frente. Em nossa praia, o futebol, a turma segue o termômetro procurando alcançar altas temperaturas com manobras “espertas”. Uns viajam e muitos forçam amistosos no meio das pré-temporadas.

A badalada Copa São Paulo de juniores acaba num paulistinha com o Botafogo de Ribeirão Preto comprovando o que nos dissera o Juninho, zagueiro do Corinthians e da Seleção Brasileira que coordena a base do Fogo Paulista. Quando participamos da abertura da Copa Sócrates, há poucos meses, vários companheiros daquela região nos deram a alegria de um reencontro e o Juninho levou suas promessas para prestigiar aquele lançamento, ocasião em que vaticinou o futuro da base do Tricolor de Ribeirão. Parabéns.

Não adianta espernear e apressar o calendário do futebol profissional no Brasil com Vasco e Flamengo, além de outros caça-níqueis. Hora de decisões fundamentais.

Vários clubes dos mais importantes realizaram eleições no fim do ano passado com resultados expressivos, uns acreditando nas mudanças intransferíveis, outros decepcionando com a manutenção e mesmo o retrocesso em suas administrações. O Corinthians faz seu pleito logo no mês que vem, num clima de suspeita, como os demais. Em seguida prevê-se a passagem de bastão na CBF.

E aí, como é que fica? Perde-se uma Copa do Mundo em casa de maneira melancólica e fica por isso mesmo? Nunca pensei que um dia, apesar de todos os percalços, o futebol pudesse me causar sensação tão estranha, para dizer o mínimo.

É hora de radicalizar. Não acredito numa passividade apalermante da sociedade brasileira a esse ponto. Quer dizer que uns 10 ou 12 figurões manjados, de reconhecido comprometimento, podem dispor do futebol, representando o valor que significa para o Brasil e mais até do que isso, o esporte de uma maneira geral?

Os dirigentes – ainda que sem generalizar, a cartolagem – volta e meia mostram sua cara, como na outra tentativa de golpe do representante goiano que procurou, por meio do que ele mesmo classificou como “barriga de aluguel”, permitida pela tramitação da Câmara, impingir uma liquidação das dívidas dos clubes sem mais nem menos, quando há meses vem se discutindo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A proposição mal-intencionada foi vetada, em tempo, pela presidenta Dilma.

O primeiro golpe, mostrando a índole de seus articuladores, foi a antecipação da eleição na CBF, marcada em sua origem para depois da Copa de 2014. Embora seja apertado, temos um ano, pelo menos, entre a Copa e a Olimpíada para mudar nossa casa de outro jeito que tenha nossa verdadeira cara.

Repercutiu bastante o artigo do Tostão em que ele classifica de “enganação” a (des)orientação que a CBF dá ao futebol brasileiro. Vem ao encontro do ferro que malhamos por aqui.

O deputado Otavio Leite, autor do substitutivo da LRF em discussão no momento, também “dá uma no casco e outra na ferradura” em relação à comissão (ministérios, Casa Civil, clubes, jogadores, jornalistas e especialistas) que discute as propostas. Chama de “empurrar com a barriga” a formação da citada comissão. Está certo o deputado em não deixar esfriar a brasa na bigorna. Por outro lado, elogia o veto da mandatária.

No Ministério do Esporte, além do ministro, já mudaram o seu secretário e o secretário de futebol. Para este cargo, volta o diretor da Defesa dos Direitos do Torcedor em mandato anterior. Interessante será ouvir o jornalista Toninho Nascimento, que batalhou todo esse tempo nos debates da LRF.

Agora se dá conta da importância da atuação dos jovens do Movimento Passe Livre e da Frente Nacional dos Torcedores, entre outros, que conseguiram com sua luta e seu empenho, só no Rio de Janeiro, conter o aumento abusivo nos transportes, bem como manter os espaços públicos do Complexo Esportivo do Maracanã (Estádio de Atletismo, Parque Aquático, Escola Municipal Friedenreich).

P.S.: Como se não bastasse o “tiro no pé” do atentado ao semanário francês, a pena de morte a um brasileiro na Indonésia serve de pasto farto aos celerados que elevam em muito o clima de insegurança no mundo. A semana trouxe ainda a notícia brutal da morte do jovem surfista catarinense Ricardinho, no momento de maior vibração desse esporte no Brasil. Vamos em frente.