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Número 832,

Cultura

Cinema

MIS promove ciclo com obras de Rogério Sganzerla

por Orlando Margarido — publicado 10/01/2015 08h27, última modificação 10/01/2015 09h23
Cineasta transitou numa esfera livre de conceitos por ele questionados, um processo de que seu livro 'Por um Cinema sem Limites' é sintomático
Peter-Overbec

Nos anos 60, a quem apontasse uma crise nas tendências do cinema, Rogério Sganzerla (1946-2004) propunha discuti-las entre os cineastas da alma e aqueles do corpo. Aos primeiros, nomes como Antonioni, Fellini, Visconti, em longa lista, caberia pensar a partir dos dramas interiores do homem. Howard Hawks, Samuel Fuller, Raoul Walsh, entre outros, adotariam uma estrutura orgânica, com o corpo em conflito. Enfim, um cinema físico. Era ainda o jovem crítico Sganzerla quem escrevia e não o realizador que depois surgiria.

Num momento em que o MIS promove até domingo 11 um ciclo com sete de seus longas-metragens, seria curioso conjeturar sobre a qual corrente o diretor se filiaria. Arrisque-se talvez aquele interessado no corpo e no gênero quando de sua estreia com O Bandido da Luz Vermelha (1968), um faroeste, como chamou, irreverente e potente em sua urbanidade. Também exemplar ao romper valores é A Mulher de Todos (1969).

Como não detectar um pensamento, inclusive político em amplo espectro, nestes e nos projetos seguintes? Em Nem Tudo É Verdade (1986), Tudo É Brasil (1998) e O Signo do Caos (2003), o filme-testamento, Sganzerla consumou sua referência e obsessão maior, o cineasta Orson Welles. Encontrou nele um argumento para falar da identidade brasileira. Transitou numa esfera livre dos conceitos por ele questionados, de que seu livro Por um Cinema sem Limites é sintomático. O volume, relançado para o evento, soma-se a uma coletânea das críticas publicada em 2010. Selecionado para o ciclo, Copacabana Mon Amour (1970) é outro libertário retrato de uma época e contribuiu para consagrar o diretor como marginal, rótulo que assim como outros desprezava.

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