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Número 830,

Tecnologia

Educação

Esqueçam os cadernos

por Felipe Marra Mendonça publicado 19/12/2014 05h34
A Finlândia decide tirar do currículo escolar o ensino de letra cursiva
Gráfica Ingral/Flickr
Caderno

Os alunos aprenderão datilografia e a escrever com letra de forma

O jornal finlandês Savon Sanomat trouxe no fim de novembro uma notícia interessante, o governo decidira eliminar do currículo escolar o ensino de letra cursiva e de caligrafia para alunos do ensino fundamental. Segundo o governo, as crianças finlandesas seriam mais bem servidas com o ensino de datilografia, além de aprender a escrever com letra de forma. “A datilografia é uma habilidade cívica muito importante e deve ser estendida a todos”, disse Minna Harmanen, do Conselho Nacional de Educação.

O texto das diretrizes do programa educacional da Finlândia esclarece que os professores têm liberdade para prosseguir no ensino de letra cursiva se assim desejarem, principalmente porque algumas escolas do país ainda não têm computadores ou tablets em quantidade suficiente para todos os alunos. Um desses estabelecimentos está localizado em Siilinjärvi, no centro do país. “Devemos receber os primeiros tablets no começo do próximo ano. Não acho que essas mudanças deixem nossas crianças em desvantagem.

Elas também aprendem muitas coisas fora da escola”, disse a diretora da escola, Marja Rytivaara. “Claro que existem algumas crianças cujas famílias talvez não possam comprar um PC ou um tablet e isso pode marginalizar alguns alunos. É nossa função identificar se isso ocorre”, completou.

Quanto ao ensino de letra de forma, “para a maioria dos professores o que importa é que os alunos consigam distinguir letras em caixa-alta e em caixa-baixa”, disse Susanna Huhta, da Associação Nacional do Ensino da Língua. Mesmo assim, ela diz que a letra cursiva ajuda no desenvolvimento da motricidade fina e das funções cerebrais e que as aulas de caligrafia poderiam ser pelo menos substituídas por cursos de artesanato ou desenho.

O projeto finlandês aponta para o fim da escrita como forma de comunicação num futuro não muito distante. O lamento pelo fim do envio de cartas com a chegada do e-mail foi grande, mas a adoção plena de datilografia talvez tire da sociedade algo muito mais importante contido no gesto de escrever um texto de próprio punho. A eficiência a ser ganha é indiscutível, mas as outras perdas que ela traz certamente não foram bem calculadas.