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Número 829,

Sociedade

Futebol

Transformação e eleição

por Afonsinho publicado 06/12/2014 08h47, última modificação 06/12/2014 08h48
Bons ares afastam o que sobra deste ano nefasto do futebol. Os clubes elegem dirigentes e até a Fifa fará mudanças
AFP PHOTO / Douglas MAGNO
Cruzeiro

Os mineiros estão dando as cartas mesmo, na bola e na política

Acaba o brasileiro neste fim de semana, com a definição dos últimos rebaixados. E ficamos de cara com o balanço da temporada. Os mineiros estão dando as cartas mesmo, na bola e na política. Com clubes bem estruturados, e dois ou três mais bem organizados no futebol doméstico, acabam por esconder ou pelo menos embaçar a nossa dura realidade.

Fechados os campos de jogo, o fim do ano promete ser bastante intenso do lado de fora. O deputado Otavio Leite, que lidera a apresentação do Projeto de Lei de Responsabilidade Fiscal, fala em aflição dos interessados com a precariedade de tempo e a pauta conturbada pela votação do orçamento do governo.

Havia um acordo prévio entre as lideranças de clubes, jogadores e outros interessados que se anunciava satisfatório para todos. Optou-se por fazer a votação com um prazo maior. O Bom Senso fica na expectativa do que possa ter mudado nesse meio-tempo. Tudo ficou paralisado depois do fiasco da Copa e pela expectativa das mudanças que certamente vão ocorrer a partir de agora.

Por falar em futebol, fim de ano quente em todos os sentidos: “quanto mais quente melhor”. Não é problema que as discussões se acirrem em algum momento. É hora de decisão, de aprofundamento máximo: disso vai depender o que vem pela frente. Necessitamos corrigir o rumo equivocado tomado lá atrás, quando abrimos mão de nossas próprias características para nos tornarmos macacos de imitação. O treinador tornou-se um semideus, uma distorção gritante.

Passamos a embaralhar as cartas e a colocar outras valências à frente e acima do talento, da qualidade técnica dos jogadores. Engrosso a fila de Tostão e Paulo Cesar Caju pelos volantes que, além de marcar bem, tenham bom passe. Mesmo zagueiros devem ter técnica apurada. Assim, o time sai arrumado. E faz falta um goleiro que saiba “sair jogando”.

Em termos de mudanças nas instituições deve-se estar atento e com coragem para enfrentar a reação dos que se aproveitam da fragilidade da situação para expor com arrogância suas bravatas chochas de cartolas ultrapassados. Estes não vão encontrar eco nem entre seus colegas de outros clubes. A própria Fifa anuncia a mudança de suas regras eleitorais, passando de um quadro de 24 para 209 eleitores. Impossível insistir no atraso, por mais que algumas eleições em clubes daqui demonstrem retrocesso. Seus representantes vão ficar jogando palavras ao vento, balões apagados.

São bons os ares que afastam o que resta deste ano nefasto para o nosso futebol e nos acercam de 2015. As propostas dos candidatos nos clubes que vão realizando eleições nestes dias reconhecem o absurdo dos universos eleitorais de suas associações; cabe aos torcedores tornarem-se eleitores. Depois de eleitos, vamos ver o comportamento dos novos cartolas. As últimas informações dão conta dos números que prevalecem em alguns clubes: Palmeiras (4 mil votantes), Corinthians (3,2 mil), Flamengo (2,7), e isso sem analisar a proporcionalidade do total de torcedores.

A fragilidade da política interna das entidades permite que aconteçam situações vergonhosas, como a do Botafogo. Chegou às raias da perversidade o período final da última administração no Alvinegro. Seu presidente dispensou os jogadores mais experientes, atirou o time combalido direto no rebaixamento a dois meses do final de seu mandato. Até o uniforme do time, reconhecido oficialmente como um dos mais bonitos do mundo, ficou transformado num dos mais agressivos ao visual. Houve um tempo em que o patrocinador, depois da resistência renhida dos sócios-torcedores, admitiu adaptar sua marca às cores do clube. Não perdeu nada e sua propaganda foi mantida nas cores do clube; não era ninguém menos que a Coca-Cola.

O que permite a um dirigente, ainda que haja outros responsáveis, causar tamanho descontrole? Havia sido reeleito. Nova diretoria assume no dia seguinte e começa por dizer que o rombo é maior que o esperado. O melhor jogador do time, único na Seleção, torna-se problema: melhor seria ceder a um time da Série A. Poderia, assim, ter alguns bons jogadores para a campanha da Série B e tê-lo de volta em caso de sucesso no acesso. Até Pelé passou mal neste ano complicado do futebol brasileiro. Força! Vida longa ao nosso Rei!

P.S.: Parabéns ao Joinville e a Santa Catarina com seus quatro times na divisão principal.

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