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Número 828,

Cultura

Charge

O Brasil de Glauco Villas Boas

por Rosane Pavam publicado 05/12/2014 07h05
Cartunista narrou história oculta de uma nação sem ressentimentos
Reprodução

Glauco Villas Boas (1957-2010) foi um pintor das vaidades. De 1986 até a morte, assassinado dois dias depois de completar 53 anos, fez charge política na Folha de S.Paulo consciente de suas leis poéticas, crítico e conciso ao ver os políticos brasileiros como crianças a litigar no tanque de areia. Principalmente, e isso representou o mais difícil, narrou a história oculta do Brasil sem ressentimentos, consciente de que ridículos somos todos.

O cartunista resolvia as feições com poucos traços e as situações, como um pugilista. Lula, por exemplo, bagunçava o coreto de barba e cigarro. Fernando Henrique Cardoso, com sua maletinha de ministro, deslumbrava-se diante do espelho montado em cavalinho sobre Itamar Franco. Perdido, este assemelhava-se a seu topete, definido com elegante linha curva. Em uma tira, motivada pela possível oferta de um cargo a Lula no primeiro mandato de FHC, os três digladiam como quem chuta por baixo da mesa. Um livro e uma mostra selecionam, com legendas a remeter para o fato político então vivido, esta viagem de artista. Do acervo familiar de 3 mil charges, estudos e esboços, 30 originais expostos estão à venda..

Sapos, Cobras e Lagartos – A Charge Política de Glauco
Olhares, 240 págs., R$ 45

A Charge Política de Glauco – Originais
Exposição na Artemobília Galeria, São Paulo, até 10 de dezembro. Grátis

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