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Número 827,

Tecnologia

Aplicativo

Privacidade no WhatsApp

por Felipe Marra Mendonça publicado 29/11/2014 09h43
Contra a espionagem, as mensagens do aplicativo agora são criptografadas
Álvaro Ibáñez/Flickr
whatsapp

600 milhões é o número do WhatsApp que até agora não tinham suas informações protegidas

O Whatsapp anunciou na quarta-feira 19 que passaria a criptografar as mensagens dos seus 600 milhões de usuários para evitar que as conversas fossem espionadas. A criptografia já foi ativada para a plataforma Android e logo deve chegar aos outros sistemas móveis. O criador do WhatsApp, Jan Koum, disse que seu compromisso com a privacidade do usuário vem da sua juventude, na Ucrânia, então ainda na União Soviética.

“Cresci na URSS durante os anos 80. Uma das minhas memórias mais fortes é de uma frase que eu sempre ouvia minha mãe dizer ao telefone: ‘Essa não é uma conversa para o telefone, depois te digo em pessoa’. O fato de não podermos falar livremente, sem temer que nossas comunicações fossem interceptadas pelo KGB, fez parte da nossa decisão de emigrar para os Estados Unidos quando eu era adolescente”, disse Koum.

No Google ou no Facebook as mensagens permanecem criptografadas nos servidores das empresas, mas podem ser “abertas” por autoridades mediante ordem judicial. O WhatsApp, que usa uma tecnologia chamada TextSecure, garante que a criptografia não pode ser quebrada em qualquer ponto entre os dois dispositivos que estão trocando as mensagens, nem mesmo pelo próprio WhatsApp. “Acho que é o maior uso público de criptografia de todos os tempos”, disse à revista Wired o criador do sistema TextSecure, Moxie Marlinspike.

A robustez da criptografia pode suscitar desconfianças, como a do governo britânico, que disse que aplicativos como o WhatsApp e serviços como o Twitter ajudam grupos extremistas a se organizarem e a angariar novos membros. Koum descarta a crítica. “Ninguém deve ter o direito de espionar, sob o risco de criarmos Estados totalitários.”

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