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Número 827,

Cultura

Cinema

Com ajuda dos filhos, Philippe Garrel retoma história dos pais

por Orlando Margarido — publicado 26/11/2014 05h59
Diretor retoma a história familiar para construir uma fábula de um amor racional
Stephane Goanna
Razão Demais

Louis Garrel e Anna Mouglalis em O Ciúme

O cineasta francês Philippe Garrel é um dos últimos de uma estirpe. Filho de diretor, ligou-se à nouvelle vague ao fim do movimento e tinha como os demais colegas o hábito da crítica nos Cahiers du Cinéma. Seus filmes valorizam a palavra e uma descrição do comportamento humano que hoje pode soar anacrônico. Garrel tem ainda a particularidade de adotar familiares na colaboração, em especial o filho e ator Louis Garrel. Esses elementos refletem-se em O Ciúme, em cartaz, que ainda conta com a filha do realizador, Esther Garrel.

A recorrência mais decisiva é a questão amorosa, detonadora do drama. Um ator (Garrel) abandona mulher e filha pela instável Claudia (Anna Mouglalis) e passa a lidar com o ônus. Entre eles está o sentimento do título. Garrel pai destitui dessas relações toda carga emocional e deixa a razão em primeiro plano, talvez até demais, o que determina certa sensação estéril. O preto e branco reforça a frieza da história inspirada nos pais do realizador e faz contraponto à exuberância colorida do filme anterior, Um Verão Escaldante, de melhor resultado.

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