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Número 827,

Cultura

Cinema

Cinema de Lina Chamie recupera a sensibilidade da vida

por Orlando Margarido — publicado 26/11/2014 05h59, última modificação 26/11/2014 17h47
No caos da metrópole, diretora de 'Os Amigos' explora a poesia das pequenas coisas
Gabriel Quintão
Os amigos

Marco Ricca e Dira Paes, uma relação especial

No registro poético e das pequenas ocorrências com que organiza seu cinema, Lina Chamie costuma nos conduzir a uma sensibilidade da vida que parece, se não perdida, por certo muito deteriorada. Busca essa valorização onde mais ela parece se perder, no caos das grandes cidades, cenário mais uma vez de Os Amigos, seu novo filme. Como em Tônica Dominante e A Via Láctea, o protagonista Theo (Marco Ricca) é um homem fragilizado pela morte de um amigo de infância que marcará todo o único dia em que corre a trama.

Esta se dá por meio de uma reflexão impressionista, a que o personagem nos leva com o vagar do trânsito congestionado. Enquanto se move entre o velório e seu escritório de arquitetura, o seguimos nos encontros com a viúva e demais amigos. Theo convive especialmente com Maju (Dira Paes) e seu filho pequeno, para quem talvez o significado de deus de seu nome na mitologia grega faça mais sentido, ou ao menos a noção de super-herói a que se referem nas brincadeiras. Tudo embalado por uma sofisticada base cultural, sobretudo a música, área à qual a realizadora deve sua formação original.

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