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Número 826,

Sociedade

Futebol

Torcedor é cidadão

por Afonsinho publicado 20/11/2014 06h01
Finais da Copa do Brasil sem a torcida visitante é atestado de falência do poder público no futebol
Reprodução

As notícias a cada dia são uma avalanche, o desmoronamento desse período degradante do futebol brasileiro.

O assunto mais instigante de uma semana cheia de acontecimentos é a final da Copa do Brasil. Mais pela decisão sobre a presença das torcidas nos estádios do que pela excelência do futebol apresentado – embora Atlético e Cruzeiro estejam na reta final da temporada na condição de times os mais entrosados.

Nesse quesito pesa para o lado do Galo o melhor momento do seu time; para a Raposa, a sequência de vitórias nos últimos tempos, o que na verdade tem duas facetas: a confiança, de um lado, e do outro o desgaste emocional dos jogos e da convivência forçada.

A importância do debate sobre os torcedores nos estádios tem muitos aspectos determinantes: a chateação da arbitragem, a garantia de segurança, o lucro financeiro, o nível esportivo e, mais relevante, o papel do Estado nessas relações.

Absurdo um jogo decisivo com torcedores de um time só, como nesta Copa do Brasil. A quem cabe a palavra final? Os regulamentos das competições não devem estar acima do interesse dos cidadãos.

Os dirigentes defendem as vantagens próprias, pessoais, acima daquelas dos clubes que deveriam representar. O sagrado dinheirinho do cartola foi resolvido com a majoração do ingresso para 200 reais, em média, sob a alegação de que ao torcedor interessa a vitória do seu time a qualquer custo.

Há tempos, uma partida decisiva foi marcada , apesar de todos os argumentos em contrário, para o campo do Vasco da Gama. No desenrolar da catástrofe anunciada até o então governador do estado do Rio interveio diretamente. Melhor teria sido evitar a tragédia, mas foi oportuna a atuação das autoridades para esclarecer a responsabilidade de cada parte.

Não basta empurrar a responsabilidade para um laudo policial, como no caso dessa decisão Galo x Raposa, que acabou por diminuir de 10% para 8% a ridícula cota regulamentar do time visitante. O que afastou de vez os aficionados do Cruzeiro e vai afastar na finalíssima os torcedores do Atlético. Confissão de incapacidade do poder público. Boa a vantagem do Atlético pelos 2 a 0 do primeiro jogo. Vamos ver quem leva a melhor no galinheiro.

Mais uma rocha podre vai se desprender no desfiladeiro em que se encontra o futebol brasileiro: o caso da Portuguesa. Deplorável! Sócios tentam cobrar 30 milhões de ex-presidente da Lusa. Desmoralização e descrédito do esporte. Vai render um animado Fla-Flu fora do campo.

Não dava para acreditar na escalação extemporânea do Heverton, que levou a Lusa para a Segunda Divisão. Quando se pensa que nada mais pode acontecer, o buraco é mais embaixo.

Teve ainda eleições em clubes (com participação recorde de eleitores, apesar de resultados decepcionantes) e jogos caça-níqueis com programações esdrúxulas nas datas Fifa (países com times B) e a internação do Pelé (saúde ao Rei!).

A Argentina, mais arrumada, fez seus dois jogos em Londres, viajou menos e festeja a volta do Carlitos Tevez, o Garoto, agora livre das marcas do rosto. Admirável sua trajetória por todos os clubes e pelos diferentes países,  sempre atuando com talento e garra empolgantes.

O jogo da Seleção Brasileira em Istambul e a surpresa pelo comportamento afetuoso do público turco me fez recordar um jogo do Santos. Fiquei muito impressionado. À medida que o ônibus se aproximava do estádio, a vibração do público, a mais parecida com a brasileira que eu experimentara, ia contagiando pela familiaridade. Até então, turco para mim eram os mascates que erravam pelo interior com o braço carregado de gravatas ou outros produtos para negociar.

No time brasileiro de Dunga, revelações de quem nunca se ouviu falar, ainda que com grande destaque em seus times espalhados pelo mundo.

Entre os jogadores aspirantes ao comando dos clubes, chama atenção que a maioria deles seja de centroavantes (Roberto Dinamite, Romário e agora Edmundo, grata revelação). Já os treinadores foram, na maioria, zagueirões pouco criativos. Melhor seria pensar em nomes fortes para ocupar cargos fortes. Ana Mozer, Jacqueline (onde anda?), Carlos Alberto Torres...

Depois de rápida pré-temporada Dilma volta em grande forma: “Olhar as contas com lupa e cortar gastos sim, mas sem a visão maluca de choque de gestão”. E: “Não represento o PT, sou presidenta de todos os brasileiros”.

Gonzaguinha agradeceria: “Sem o seu trabalho o homem não tem honra...”.