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Número 826,

Tecnologia

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O tablet da inclusão

por Felipe Marra Mendonça publicado 19/11/2014 06h07
Companhia californiana anuncia um aparelho com sensor de movimentos para ler a língua dos sinais
Arte: CartaCapital
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Os criadores do Uni acreditam que ele pode ajudar as pessoas surdas e mudas a conquistas empregos melhores

A inovação tecnológica, principalmente no mercado de consumidores, parece sempre estar voltada para melhorias graduais como telas maiores, processadores mais rápidos, chassis mais finos, baterias com maior autonomia, uma busca incessante por uma obsolescência constante.

No fim do mês de outubro a companhia californiana MotionSavvy anunciou um tablet, o Uni, com tela de 8 polegadas e sensor de movimentos que deve custar cerca de 800 dólares quando chegar às lojas em meados de 2015. O sensor e o preço alto parecem seguir exatamente a progressão descrita acima, mas existe um detalhe importantíssimo: o tablet é capaz de interpretar a língua de sinais.

O CEO da MotionSavvy, Ryan Hait-Campbell, disse em entrevista ao site ArsTechnica que o aparelho é só o começo do que pode ser uma revolução no modo com que os surdos se comunicam com o mundo ao seu redor, mesmo que o vocabulário inicial seja limitado, com 300 palavras, e que o tablet peça que o seu usuário faça gestos mais lentos do que faria numa conversa normal com uma pessoa fluente na língua de sinais. “Nós aqui na empresa precisamos de intérpretes sempre que fazemos reuniões com investidores em potencial, mas isso está acabando com nosso dinheiro. E quando você fala com um professor ou com um colega de trabalho você não tem um intérprete ao seu lado. É aí que entra esse tablet”, disse Hait-Campbell.

“Digamos que você vá até uma reunião com seu chefe. Ele pode falar tranquilamente enquanto o tablet traduz tudo em sinais e vice-versa. Ou numa situação em família, vocês podem sair todos juntos e o tablet faz a ponte com o mundo exterior”, completou Hait-Campbell.

Mais do que isso, os criadores do Uni acreditam que o aparelho tem o potencial de libertar as pessoas surdas de empregos menores em que elas se encontram simplesmente por conta de sua condição. O Uni permitiria aos surdos, e principalmente aos surdos não oralizados, a possibilidade de quebrar a barreira da comunicação que atualmente os impede de conquistar empregos melhores. Um caso claro do uso da tecnologia para um fim muito mais importante do que simplesmente um telefone que não precise ser carregado o dia inteiro ou um laptop mais fino. Ainda bem.

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