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Número 826,

Cultura

Cinema

Castanha, entre o real e a ficção

por Orlando Margarido — publicado 22/11/2014 09h22, última modificação 25/11/2014 16h18
Ator e transformista gaúcho de meia-idade é o protagonista e o corroteirista do filme de Davi Pretto que pontua narrativa com fortes doses documentais
Divulgação
Castanha

Castanha nos apresenta o cotidiano de José Carlos Castanha, ator gaúcho

Em um esboço possível de narrativa, Castanha nos apresenta o cotidiano do personagem em questão no título. José Carlos Castanha é um ator gaúcho cinquentão que à noite se traveste e anima boates de Porto Alegre. Durante o dia, sem os adereços femininos, uma realidade dura se impõe. Há a mãe solitária, depois que o marido foi para um asilo e, mais desafiador, um sobrinho dependente de crack e da casa para obter dinheiro. As ameaças e os roubos desafiam Castanha, tanto quanto os delírios, medos e frustrações de um intérprete que acredita merecer mais.

Todo o quadro, digamos, realista de um indivíduo que reflete sobre problemas e os enfrenta surgiria de antemão incomum não fosse ainda contaminado por forte dose documental. Castanha existe fora do filme de Davi Pretto, com estreia prevista para a quinta 20. O transformista assina o roteiro com o diretor, o que confere autenticidade à obra. O espectador, a princípio, não sabe quem são os atores e os personagens reais. O jogo estimula a compor uma noção de verdade e ilusão própria do protagonista e do espectador.


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