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Número 825,

Cultura

Cinema

Sem concessão

por Orlando Margarido — publicado 08/11/2014 15h15, última modificação 29/01/2015 21h18
Divulgação
Saint Laurent

Gaspard Ulliel, o Yves Sait Laurent de Bertrand Bonello

Saint Laurent 
Bertrand Bonello

As duas recentes cinebiografias de Yves Saint Laurent complementam-se em seus acertos e defeitos. Jalil Lespert foi contido na sua visão do hedonismo e da fragilidade autodestrutiva do estilista, num olhar pudico cercado pelo luxo a que chamou de viscontiano. Há também Luchino Visconti na versão de Bertrand Bonello, em cartaz a partir da quinta 13. Saint Laurent cita Os Deuses Malditos e ao fim Helmut Berger surge como o protagonista envelhecido, ele que foi ator e amante do cineasta italiano.

Faz sentido espelhar a relação amorosa conflituosa entre YSL (Gaspard Ulliel) e Pierre Bergér (Jérémie Renier), responsável pela ascensão do criador. Bonello filma o sexo como engrenagem de uma perspectiva de vida, no transexual brasileiro em Tirésia ou nas prostitutas de L’Aponollide. O desejo move a criação e se explicita nos nus frontais, na busca de rapazes pela noite ou na paixão por um jovem sedutor (Louis Garrel). Tudo importa, mas o que conta mesmo, diz o diretor no papel de jornalista, é que o personagem mudou uma perspectiva de mundo.