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Número 825,

Política

Pobreza

Redução estacionada

por Redação — publicado 07/11/2014 12h47, última modificação 07/11/2014 12h47
A ministra Tereza Campello explica os dados da Pnad
Elza Fiuza/Agencia Brasil

O número de miseráveis apresentou uma ligeira alta em 2013. Segundo dados atualizados pelo Ipea em 30 de outubro, calculados a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, o número de indivíduos extremamente pobres subiu de 10,08 milhões para 10,45 milhões. Segundo Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social, os dados mostram uma estabilização, mas podem estar distorcidos pela forte presença de perfis de alta escolaridade entre aqueles que declaram ter renda zero.

CartaCapital: O governo tem sido criticado por ter supostamente segurado os cálculos do Ipea sobre a extrema pobreza. Houve de fato um adiamento por questões eleitorais?

Tereza Campello: Não escondemos dados. Eles estão disponíveis desde o dia 18 de setembro e vários pesquisadores chegaram aos mesmos resultados do Ipea antes de 30 de outubro.

CC: Como interpretar essa pequena alta?

TC: Esse pretenso aumento está dentro da margem de erro. Os dados mostram uma estabilização. Há, porém, uma tendência de redução de 12 anos.

CC: Quais os motivos para a interrupção da queda no número?

TC: Não há elementos. Houve um aumento do Bolsa Família no último ano. O desemprego está em queda. Começamos então a olhar para a Pnad com uma lupa. No ano passado, o número de cidadãos que declararam ter renda zero aumentou 30%. Segundo a Pnad, 5,3% têm ensino superior. Entre aqueles que recebem de 1 a 70 reais mensais, apenas 0,8% têm esse nível de escolaridade. É um perfil incompatível. Informamos esses dados ao Ipea e ao IBGE para entender o que ocorreu.