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Número 825,

Cultura

Cinema

Questão de tempo

por Orlando Margarido — publicado 09/11/2014 10h45, última modificação 29/01/2015 21h18
O espetáculo visual se excede na elucubração
Divulgação
McConaughey

McConaughey, sacrifício pela humanidade

Interestelar
Christopher Nolan

Em Interestelar, em cartaz, temos mais uma vez a questão do tempo que tanto interessa a Christopher Nolan. O diretor o manipula na trama de trás para a frente em Amnésia, desacelera a ação para os moldes de uma série como Batman, mais interessado no drama de consciência, e busca seu sentido na dimensão dos sonhos em

A Origem. Há um pouco de tudo isso agora e a opção pode lhe ser fatal no caso de um público menos disposto a transigir com o relógio nas quase três horas de duração do filme.

A agravante para um bem engendrado espetáculo visual é o apreço pela elucubração demasiada, recurso que Stanley Kubrick dispensou em 2001 – Uma Odisseia no Espaço, influência assumida, em favor de evidências e mistério. Nolan não atenta ao futuro cronológico da ficção científica, mas ao presente capaz de enviar astronautas em busca de um novo planeta para os humanos. O custo a pilotos como o líder (Matthew McConaughey) e uma cientista (Anne Hathaway) é a passagem de décadas no calendário da Terra quando transposta determinada fronteira. Perde-se o tempo de alguns em benefício da maioria, nos faz crer o realizador.