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Número 824,

Cultura

Cinema

Tim Maia sem soul

por Orlando Margarido — publicado 01/11/2014 08h16
Dose de artificialismo típica dos filmes anteriores do diretor Mauro Lima parece servir apenas a um capricho de efeito no caso da cinebiografia do cantor
Divulgação

Entre os atributos inegáveis da personalidade de Tim Maia eternizou-se o tipo autêntico e fiel às suas decisões, apreciáveis ou não, na vida e na música. Quanto à fidelidade talvez não haja nada a se opor, mas sim em relação à autenticidade na opção da cinebiografia ficcional Tim Maia, em cartaz. Na atenção habitual do diretor Mauro Lima ao ato de reconstituir uma história de vida, uma dose de artificialismo pode beneficiar o tom irreverente, como em Meu Nome não É Johnny, ou se assumir proposital ao conceito caricato, como em Reis e Ratos, longas-metragens anteriores. Desta vez parece servir apenas a um capricho de efeito visual e dramático que por certo o protagonista prescindiria.

Difícil imaginar o Sebastião Maia transformado em toda a sua extravagância corpulenta no palco como Tim Maia à vontade entre tantos recursos que lhe pareceriam excesso de maneirismos. Não é o caso de incluir a boa performance de Babu Santana, como o cantor na maturidade, mas expedientes a exemplo de uma narração que se pretende esperta de quem acompanhou tudo de perto, no caso o cantor Fábio (Cauã Reymond). Esta vem apoiada por cenas reiterativas que alongam o filme e quebram sua fluidez.


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