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Número 824,

Cultura

Música

O encontro de Lady Gaga e Tony Bennett

por Tárik de Souza — publicado 07/11/2014 05h06
Musa do pop retorna passado de aluna de jazz no disco em que contracena com o ícone da canção americana
Reprodução

Ela emergiu numa das premiações do Video Music Awards, da MTV, envelopada num vestido de carne crua. Em outra aparição, sob golfadas de sangue, encenou a música Paparazzi, encerrada em enforcamento, como metáfora dos linchamentos midiáticos. Depois de abalroar o trono pop de Madonna com aparições estridentes, Lady Gaga encaixa seu golpe artístico mais agudo. Contracena com o totem da canção americana Tony Bennett, emoldurada por arranjos jazzísticos, em disco logo aboletado no topo das paradas. De ascendência italiana, como Stefani Joanne Angelina Germanotta, 28, a Lady Gaga, Anthony Dominick Benedetto, 88, não debuta no flerte com estrelas de outros firmamentos. Já duetou com a efêmera diva do soul inglês Amy Winehouse e dividiu o álbum A Wonderful World com a neo country k.d.lang.

Cheek to Cheek nasceu da afinidade das duas vozes díspares na heráldica The Lady Is a Tramp, no álbum de Bennett Duets II, em 2011. O encontro desencava um passado obscuro de Gaga, que em quatro títulos de vendas milionárias, mas declinantes (The Fame, 2008, The Fame Monster, 2009, Born this Way, 2011, Artpop, 2013) vagou entre o pop eletrônico e o punk refogado. Aluna de piano aos 3 anos e vencedora de um certame escolar de jazz aos 13, ela exibe fôlego suficiente para galgar a escadaria de acordes de Firefly, numa troca de passes com o barítono cada vez mais rouco do parceiro. A dupla dispara síncopas nas vertiginosas Let’s Face the Music and Dance, It don’t Mean a Thing e asperge lirismo nas baladas Nature Boy e But Beautiful. Gaga pontifica solo, quase sem vibrato, em Lush Life e Ev’ry Time we Say Goodbye. Bennett esbanja coloquialismo, herdado do ídolo Frank Sinatra, em Sophisticated Lady e Don’t Wait to Long. Um inesperado par de malabaristas estéticos.



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