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Número 824,

Cultura

Cinema

O encantamento do cinema de Jeunet

por Orlando Margarido — publicado 05/11/2014 04h56
Diretor de Amélie Poulain explora a infância de um menino de dez anos em "Uma Viagem Extraordinária"
Divulgação

No mundo de fantasia que o francês Jean-Pierre Jeunet elabora quase solitariamente no cinema sempre houve lugar para dores e aflições. Há mais de uma década a jovem ingênua de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain trazia uma imersão um tanto penosa na realidade. Se os adjetivos dos títulos dos filmes sugerem algo da ordem do maravilhoso, é para enfatizar depois que não há apenas gratificações na vida, como se dá com o garoto T.S. Spivet em Uma Viagem Extraordinária. Para justificar o extravagante e prodigioso contido no original o longa chega aos cinemas no formato 3D.

Não fosse em muito pelo contexto fabular de Jeunet, a etapa de crescimento pela qual Spivet (Kyle Catlett) passa seria comum a quem tem 10 anos de idade. Mas o diretor soma atribuições mais complexas ao filho de um dono de terras no interior americano que toca tudo com rédeas severas e de uma cientista absorta em insetos. Nesse cotidiano, o garoto solitário e de intelecto dotado inventa a máquina de moto-perpétuo, o que o credencia sob falsa identidade a um concurso.

Mas haverá outra razão para que parta escondido numa aventura de descobertas, relacionada a um trauma com o irmão no passado, nunca esquecido pelo patriarca. Com referências universais, como a relação entre pais e filhos, Jeunet assume ainda as de contos de fada, a exemplo de O Pequeno Polegar, diferença que faz o encantamento de seu cinema.

 

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