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Número 823,

Política

Análise/Maurício Dias

O Ibope do Ibope

por Maurício Dias publicado 30/10/2014 16h51
Para o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, as eleicões de 2014 se assemelharam às de 1989
Carlos Augusto Montenegro

O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro: "Em momento algum, Dilma fraquejou"

Amado pelo candidato vencedor e odiado pelo perdedor como sói acontecer, Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope, viveu em 2014, segundo ele, conflitos e tensões semelhantes, se não iguais, à eleição presidencial de 1989, quando Fernando Collor de Mello derrotou Luiz Inácio Lula da Silva. As mesmas forças políticas interagiram.

E saíram das regras democráticas da competição. A comparação instiga. Montenegro nega, porém, o cenário do passado e, diante da vitória da petista, afirma: “Dilma saiu da eleição mais forte do que o PT”.

Montenegro acredita que a vitória de Dilma foi baseada nos programas sociais do governo Lula e naqueles que ela própria criou ao longo do seu primeiro mandato. Por isso, evoca as manifestações de 2013 e levanta interessantes interrogações: “A oposição não entendeu exatamente o significado da mudança pedida pelos manifestantes e partidarizou as reivindicações”. E avalia: “A oposição apostou mais no sentimento antipetista que existe numa parte da população e caiu em contradição. Ora condenava os governos do PT, ora afirmava que não desmancharia o que os petistas fizeram”.

O presidente do Ibope denuncia outro erro da oposição, precipitado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao falar dos “pobres desinformados”. “Hoje, graças aos governos do PT, a classe mais pobre é muito bem informada. Tem noção muito maior do que tinha há dez anos. Há um entendimento geral de que Lula e Dilma melhoraram a vida dos menos favorecidos.”

De um ponto de vista prático, é preciso considerar que um governo com 44% de avaliação de ótimo e bom e, em geral, mais de 56% de aprovação, é muito difícil de ser batido. Além disso, a candidata à reeleição acabou por revelar estatura de grande líder. “Em momento algum – sublinha Montenegro –, mesmo diante de uma campanha muito dura, ela fraquejou.” Sem constrangimentos, o presidente do Ibope põe o foco em Aécio Neves e lamenta que ele tenha desprezado o resultado das pesquisas eleitorais. “Houve erros. Eles são sempre possíveis. Mas os institutos tiveram um acerto preciso no segundo turno”, diz Montenegro.

O presidente do Ibope vasculha automaticamente a história das eleições republicanas. A de Juscelino Kubitschek, em 1955. Mineiro como Aécio, JK teve então uma eleição com resultados inversamente proporcionais à de Aécio. Recebeu apoio modesto em São Paulo e superou os paulistas com uma votação retumbante no seu estado. Ganhou por isso. A situação assemelha-se à de agora, em sentido oposto, no entanto.

“É impossível ser presidente do Brasil depois de perder em Minas no primeiro e no segundo turno”, diz Montenegro ao se referir ao desempenho de Aécio no seu estado, que governou por dois mandatos.

Ao explicar a vitória de Dilma, Montenegro faz uma comparação entre os discursos da oposição e os dos governistas. “Acredito que um ponto de referência dos eleitores foi a saída de Guido Mantega do governo e a escolha de Arminio Fraga, por Aécio, como futuro ministro da Fazenda.” Erro dos tucanos, segundo Montenegro.

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