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Número 821,

Cultura

Cinema

'Grandes Amigos' fica entre os cinemas francês e americano

por Orlando Margarido — publicado 14/10/2014 05h08, última modificação 14/10/2014 11h36
Longa de Stephan Archinard e François Prévôt-Leygonie se vale da tradição cultural do primeiro e de expediente dramático afinado ao segundo
Divulgação
Grandes amigos

Desajustes de convivência trazem à tona alguns segredos

Em Grandes Amigos, estreia prevista da quinta 16, o pressuposto que aponta o título vem acoplado a uma tradição cultural francesa, mas com um expediente dramático mais afinado ao cinema americano. Para consumar o primeiro, a dupla de diretores Stephan Archinard e François Prévôt-Leygonie cria uma atmosfera de sotaque muito parisiense, na qual prevalecem o mundo gastronômico, representado por um dono de restaurante (Gérard Lanvin), e o literário, em papéis tanto de um escritor em crise de bloqueio (Jean-Hugues Anglade) como de um livreiro (Wladimir Yordanoff), afinado ao engajamento político de esquerda em que tão bem cai a área de Montparnasse, cenário do filme. É na livraria daquele que a amizade de longo tempo se mantém às quartas-feiras, quando o grupo de homens maduros se reúne para beber e comer, sob a sirene preservada que toca no bairro desde a Segunda Guerra Mundial.

Estabelecidos os vínculos, a narrativa desponta com alguns desajustes na boa convivência, o principal promovido entre o romance às escondidas do autor e a filha de 20 anos do restaurateur (Ana Girardot). Deste, figura dominadora e inflexível, não será o único segredo a ser ocultado. Também a homossexualidade do livreiro, conhecida pelos demais, será pontuada quando ele decide voltar à política. O drama passa, por fim, a trabalhar na toada facilitadora da renovação de personalidade do amigo mais duro do trio, uma opção que enfraquece, mas não quebra a simpatia do filme, no mais devedor de um universo peculiar a uma cultura.