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Número 821,

Cultura

Cinema

'A Batalha de Argel' e a guerra ao terror

por Orlando Margarido — publicado 12/10/2014 08h19
Revisto, clássico de Gillo Pontecorvo dialoga com contexto atual e desafia o espectador com narrativa que não propões vilões ou heróis inconfundíveis
Reprodução
A Batalha de Argel

Nem vilões definidos nem heróis incontestáveis

A Batalha de Argel (IMS, R$ 44,90) é um filme incomum em sentido pleno. Primeiro, temos um calculado esforço do diretor Gillo Pontecorvo para que esta ficção acerca da luta argelina contra o domínio colonial francês surja nos moldes de um documentário. Isso desde a proposital aparência rude das imagens em preto e branco, como a recriar os cinejornais, ao elenco não profissional com Yacef Saadi no papel do líder rebelde da Frente Libertadora Nacional que foi.

Mais definidor é o fato de filmes de gênese política tenderem a assumir um posicionamento, engajarem-se a uma tendência. O realizador italiano, apoiado em outro nome político, Giuliano Montaldo, desvia e propõe ao espectador o desafio de percorrer a narrativa em espiral para não deparar nem com vilões definidos nem heróis incontestáveis.

Revisto em DVD lançado pelo Instituto Moreira Salles, pode-se aproximar o filme de 1966 do contexto atual da guerra ao terror, especialmente porque nenhuma produção recente conseguiu dar conta do complexo cenário. Tornou-se conhecido o fato de a CIA ter adotado o título na demonstração aos militares americanos para orientá-los quanto à figura dos terroristas. É contra os assim denominados que paraquedistas franceses lutaram por quatro anos na Casbah, o refúgio da resistência, até o confronto final em 7 de outubro de 1957 e a prisão de Saadi. Como afirma em depoimento entre os extras, seria libertado na independência que só viria em 1962, fato que Pontecorvo nos lembra ser resultante de métodos de violência. Tudo a bem da ditadura da verdade, como certa vez qualificou.

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