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Número 819,

Política

Medicina

O calvário de Bellini

por Redação — publicado 03/10/2014 05h58
O capitão começou a perder a memória 20 anos antes de morrer. Não era Alzheimer
AP
Bellini

O capitão Bellini na Copa de 58: o mesmo mal dos pugilistas

Os amigos que assistiram à longa agonia de Bellini, garboso capitão da soberba  Seleção Brasileira campeã de 1958, não poderiam imaginar que o diagnóstico mais ou menos óbvio de Alzheimer poderia ocultar outro problema até então desconhecido entre os jogadores de futebol. O futebol à nossa feição, o soccer, como dizem os norte-americanos, porque o futebol deles, assim como o boxe e outros esportes de choque, são pródigos em produzir as sequelas que desencadearam os danos cerebrais de Bellini.

O que parecia ser Alzheimer foi, no exemplo de Bellini, um caso avançado de encefalopatia traumática crônica, em inglês CTE, causada por repetidos golpes na cabeça. O diagnóstico é da doutora Ann McKee, neuropatologista da Universidade de Boston e do Centro Médico para Veteranos de Guerra de Bedford, Massachusetts.

A doutora McKee teve oportunidade de examinar o cérebro do craque canarinho. Antes, apenas um outro caso de CTE havia sido flagrado no futebol/soccer: um jogador de 29 anos que atuou semiprofissionalmente no estado do Novo México. Atualmente, um terceiro caso está sendo investigado pela doutora McKee. Por ora, ela prefere não divulgar o nome do jogador prematuramente falecido.

Quem colaborou com a pesquisa foi a doutora Lea T. Grinberg, também neuropatologista da Universidade de São Paulo e professora da Universidade da Califórnia, em São Francisco. Foi ela quem iniciou as pesquisas sobre Bellini e apresentou a análise no Congresso Internacional de Neuropatologia, no Brasil, despertando o interesse da doutora McKee.

O caso de Bellini foi especialmente agudo, apontou a pesquisa da doutora McKee. Ele sofria de CTE em quarto grau, o mais severo grau da moléstia. Segundo sua mulher, os primeiros sintomas de perda de memória despontaram 20 anos antes de sua morte, ocorrida em março deste ano.

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