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Número 819,

Economia

IBGE

IBGE: falha grave, mas possível

por Redação — publicado 27/09/2014 07h46
O governo monta uma comissão para apurar os erros de cálculo da Pnad. A credibilidade do instituto não pode, porém, ser questionada
Arte: CartaCapital
Miriam Belchior

Miriam Belchior no calcanhar de Wasmália Bivar

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística admitiu erros em parte dos cálculos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios divulgada na quinta-feira 18, mas não reconheceu a relação do equívoco com a escassez e a baixa remuneração dos funcionários apontadas por sindicatos e economistas. O Índice de Gini específico para medir a distribuição dos rendimentos do trabalho, em vez de aumentar de 0,496 para 0,498, segundo a primeira divulgação, caiu de fato para 0,495. Ao contrário de um ligeiro aumento da desigualdade, houve redução discreta. Esse e outros deslizes, numericamente desprezíveis, foram magnificados no debate eleitoral, em meio a acusações de manipulação dos dados.

Esse tipo de equívoco não é uma exclusividade brasileira. Em abril do ano passado, dois economistas de Harvard, Kenneth Rogoff, prêmio Nobel, e Carmen Reinhart, admitiram erro nos dados de uma pesquisa publicada em 2010 muito usada na defesa de políticas de austeridade fiscal.

Para Sérgio Besserman, presidente do IBGE entre 1999 e 2003, a falha na Pnad indica a necessidade de mais investimentos. “A credibilidade do IBGE repousa em sua autonomia e em serviços prestados, que permitem a ocorrência de erros”, afirmou. “Acho que existe um enorme exagero. O IBGE continua a ser uma notável instituição de pesquisa. O que houve foi o mesmo ocorrido em muitas instituições brasileiras: contingenciamento e redução de verbas”, disse o economista Carlos Medeiros, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A presidenta do IBGE, Wasmália Bivar, pediu desculpas publicamente pelos problemas na Pnad e o governo formou uma comissão para apurar a falha, informou Miriam Belchior, ministra do Planejamento.

*Publicado originalmente na edição 819 de CartaCapital, com o título "Falha grave, mas possível"

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