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Número 819,

Sociedade

Ditadura

Cerco ao torturador

por Redação — publicado 28/09/2014 07h49
O Ministério Público acusa o ex-coronel Ustra pela morte do jornalista Luiz Merlino em 1971
Wilson Dias / ABr

Comandante do DOI-Codi entre 1970 e 1974, o coronel reformado Carlos Alberto Ustra volta a ser denunciado pelo Ministério Público Federal. Na segunda 22, o militar foi acusado de homicídio doloso pela morte do jornalista e militante Luiz Eduardo da Rocha Merlino, em 1971. Além do ex-coronel, foram denunciados o delegado Dirceu Gravina e o servidor aposentado Aparecido Calandra.

Merlino, diz o MPF, foi torturado por 24 horas ininterruptas. Na denúncia, os promotores destacam a inexistência de prescrição dos crimes relatados, por se tratar de delitos de lesa-humanidade. Com base nas decisões recentes da Justiça, a condenação é, contudo, improvável. Em janeiro deste ano, foi considerada extinta a punibilidade de Ustra pela morte do militante Hiroaki Torigoe em 1972.

Pela primeira vez desde o fim da ditadura, os militares reconheceram na sexta 19 não poder negar os crimes cometidos em instalações militares no período, apurados pela Comissão Nacional da Verdade. O ministro da Defesa, Celso Amorim, reconheceu as “lamentáveis violações de direitos humanos ocorridas no passado”.